
E agora, o que vou fazer?
Faz tempo que não lhe vejo.
Os olhos parecem distantes.
O desencontro tomou conta.
O meu coração dói.
E não quero chorar.
Se você não quer me ver,
se esconda dos meus olhos.
Você passa por mim e nem me vê.
Quando passo finjo do mesmo jeito.
Mas nada acaba
com essa dor de desejar.
E nem na Rua da Amargura
consigo vender meu corpo.
Minha tristeza é tanta
que se transforma em ódio
irradiante pelos olhos que desejam
mercadorias na vitrine sem compromisso.
Não se faça de inocente
já lhe envolvi com o mal.
O seu corpo é a isca,
sou eu quem puxa o anzol;
A linha arrebenta...
Ventando vai o meu cabelo
o meu beijo e o meu veneno.
Doce e gostoso como pudim de leite
condensado nas sombras,
oculto da luz.
É o nosso suco gástrico.
É bom
e faz tão mal.
Por que não se pode estar sozinho?
Pra quê olhar aos quatro ventos?
A maquiagem que faz o olho forte
vai borrar.
E a minha loucura não chega.
Não tenho stress.
Eu durmo de dia.
A minha dor é branca.
Eu posso prosseguir;
Não me incomoda não.
Os velhos sacerdotes meninos, a santíssima trindade,
estão morrendo.
Eu me preparo para atravessar o Tempo
(Sou muito amargo pra durar demais).
A Morte vai chegando mais cedo
porque o tempo se abrevia.
A vida mais precoce e mais intensa.
Fiquei maduro
antes de saber que era fruto.
A casca horrorosa
disfarça o que há por dentro.
Mas não precisa disfarce:
o que você pensa que é doce,
é um mau pedaço.
De longe eu vi.
07/08/97




