sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

JOTA

Pensei que minhas mãos eram frias,
até que encontrei as mãos da Morte.
Então olhei sua face e perdi o medo
porque ela tinha o rosto da Paixão;
Anéis de prata nos dedos,
ouro na boca,
e um toque suave
das unhas em ferpas
pintadas e limpas.
Não é por descuido
que seu rosto está sujo:
é para você se distrair ao limpá-lo
durante o encontro
e não sentir o impacto
de ser só energia.
Eu deixei o dinheiro debaixo do travesseiro.
Você não entende nada de amor.
O seu corpo é mais vistoso que o meu,
apenas, e isso conta.
O que você tem por apenas uma noite
posso ter durante a eternidade.
Porque está ansioso?
Quero andar no território sagrado.
Você permite o toque da minha mão?
Quero sentir o seu rosto,
a carne e a pele do seu corpo.
Quero saber o que você pensa
quando pego sua mão.
Posso sacudir o preconceito
dos seus ombros?
Meu amor é quase bem maior:
ou você ama a todos
ou não ama nenhum.
Mas eu não falo que amo.
Eu ofereço prendas de amor;
Confissões de amor
dos meus olhos
para o seu corpo justo.
Não para o seu interesse
vulgar e passageiro.
Estamos brincando na frente do espelho
nus e nos relacionando
à meia luz e meia voz.
Nossos corpos sujos se contaminaram.
Admiro apenas a beleza
dessa cruz sobre seu peito imundo.
02/08/97

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