
Estou no meio da loucura
e da inocência.
Loucura de querer alguém,
inocência de não conhecer ninguém.
Loucura de querer ser,
inocência de não saber ser.
Loucura de tentar viver,
inocência de não saber viver.
Estou pulando do barco,
esse balanço me enjoa.
Não me joguem salva-vidas,
vou aprender a nadar.
Sei que é possível morrer
de sede navegando
num mar de água doce.
Mas vou provar da água.
Vou chutar o balde;
Só balançar não basta.
Não adianta tentar me manter
no bom Caminho:
Todos temos o mal por dentro,
é só deixar crescer.
O bom, ao contrário,
só pode ser aprendido.
Sei de um e quero
conhecer o outro
lado da moeda.
Sair do meu minúsculo castelo
e ampliar meu mundo.
Na cidade grande, um som
como de um povo pentecostal
se faz ouvir nas ruas.
Mas são os vendedores
e camelôs gritando
nas esquinas cheias,
tentando ganhar mais que pão.
É...
Somos todos muito iguais,
unidos ou não,
de qualquer forma.
Homens e poetas.
Alma de poeta.
A Alma gosta de sofrer,
de sentir dor, de amar
e se sentir sozinha.
Uma poeta que encontrei
não se lia.
E eu, lendo-a,
mexeu-me algo
no meu interior.
Ela não era um espelho;
Poderia ser a água
de um rio.
Rio que vai pro lago
tranqüilo do castelo.
O furacão que vem
do deserto vai agitar
os ânimos.
Provocar uma tempestade
de brigas.
11/04/96
