Que maturidade é independente de idade.
Que o Amor pode, e volta a acontecer, mesmo após a Decepção.
Que atitudes valem mais que palavras.
Que o tempo a gente inventa quando quer.
Que o que realmente inporta é o mais importante.
Que é impossível enganar o coração: o nosso e o de quem está próximo.
Que o medo e a coragem fazem parte de nós, só aguardando uma chance.
Que só posso pedir o que o outro tem condições de me dar.
Que confiança e liberdade tem que ser conquistadas em qualquer e a todo tempo.
Essencialmente, que o futuro é imprevisível,
Apesar da certeza da morte.
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domingo, 17 de julho de 2011
domingo, 12 de setembro de 2010
Passo o passo
Apaixonei-me pela Vida. Vida.
Fiquei em suas mãos: faça o que quiser.
A expectativa da espera é angustiante quando não se pode fazer nada além de aguardar acontecer.
Mas a surpresa supera tudo.
Me concentro e perco o foco.
Por que estou no lugar-cidade de onde todos - que eu amo - vão embora?
É hora de rever e/ou atualizar (mudar!) essas coordenadas GPS.
Abri o chuveiro e deixei-o chorar por mim - você se foi e minha água acabou.
Mudei tanto que até meu passo ao caminhar está diferente.
Estou alegre por uma coisa que tinha de me deixar triste (eu não deveria mudar meus princípios);
E triste por saber de coisas que deveriam me deixar alegre (os segredos do seu coração, e o futuro sempre incerto);
Mas tudo é uma coisa só: o motivo e meu sentimento.
Simplesmente sem explicação, pois sempre procurei a razão de tudo.
Amor angústia. Paixão elevada ao quadrado.
E a pedra no caminho.
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
VOLÚPIA
da minha pele.
Pétala de flor,
vermelha ou azul.
Toco minha pele,
mas é a mesma coisa,
é tudo tão previsível,
cada gesto tão frio...
Fico imaginando
sua mão quente, grande,
me tocando.
Você me afinando
como se eu fosse seu violão.
Eu lhe cantaria
as mais belas notas
que o ar já ouvira, e as
que nunca ouvira antes.
O violão, apoiado
sobre sua perna,
abraçado por seu braço,
acariciado por seus dedos.
Seus olhares voltados
só pra mim.
À tarde,
no passeio vespertino,
nós lado a lado,
sem palavras,
apenas ao som do violão
e a troca de olhares.
Num enlace de mãos,
você corre na minha frente,
me puxa
para a alegria,
para a vida, e
para o amor.
24/04/96
terça-feira, 17 de novembro de 2009
OS MISTÉRIOS DOS ENTENDIDOS

É incrível que os mesmos olhos que estão capacitados para ver,
Também estão, igualmente, capacitados a serem vistos.
O jogo do olhar é para quem tem visão;
Com os olhos nos olhos, dá-se as mãos,
E fala-se o que sente da outra pessoa.
Através dos olhos(paredes, espelhos, véus, lagos ou piscinas).
04/02/97
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
UNIDADE
Tenho medo de que você não enxergue conscientemente
as escolhas que o seu inconsciente faz.
É doloroso por demais cruzar o véu da consciência
e unificá-la racionalmente.
"Tudo pela sociedade", você age.
E eu, me preocupo comigo.
Mesmo que hoje seja o fato legal,
meu coração chora de tristeza e alegria;
por mim e por você.
Então espero,
com a experiência que o Tempo me deu;
a esperança infinda do viver agora.
Até o dia em que você,
de mãos dadas com as minhas,
conduzamo-nos para um lado ou outro
do véu rasgado.
13/11/09
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
IMENSO VAZIO

Imenso espaço vazio aberto.
Nada me atrai (sem fome).
Nada entendo (preguiça).
Meu interesse me cega e não vejo nada mais.
Não há realidade.
Meus planos feitos sobre um terreno mais ou menos sólido
que Amor (pensava eu) me ofereceu,
joguei pro alto (foram jogados por quem ofereceu).
Peço perdão por uma coisa que não fiz:
evitar que Paixão invadisse (de novo) minha vida
e me amarrasse, me atormentasse.
Incandescente, não me largará até consumir
por total minha essência de vida.
Ela me deixa louco com suas cores e formas.
(Como ela foi ser tão perfeita?
... os olhos ... a pele ... os cabelos ...
Ou será que eu é que estou cego?)
Me deixa louco com seu jogo
(que sabe e se faz de inocente).
Sobe um frio da barriga ao coração,
que vai se alojar no imenso espaço
vazio (e frio) aberto
deste.
25/09/96
terça-feira, 22 de setembro de 2009
FERIDA DE AMOR NÃO DÓI

Seu perfume me causa apatia,
Dá-me gastura roer suas unhas.
Sua alma de porco presa em um corpo gostoso.
Fico na lama desses sentimentos meus,
perdão, sensações,
que traem a vida ao mais vil desejo,
e trazem à tona os prazeres, que nem pagam os medos
de uma estranha aventura na avenida corrompida.
O que é emprestado com usura
sem as mínimas qualidade ou garantia,
isso não é amor.
Meus olhos precisam, meu coração não.
Meus olhos têm sede de água,
meu (não o seu)
coração é a fonte.
09/10/03
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
TREVO DE QUATRO FOLHAS

Só por hoje
vou lembrar-me do amor que lhe votei
e da intensidade que havia,
pois vamos sempre estar juntos
enquanto nos lembrarmos do que foi
a magia de se completar um ao outro,
e que por nossas opções ela ficou à parte,
pra depois.
Sei que o erro
não pertence a você e nem a mim:
da nossa parte, o que pecamos, foi o medo
de me entregar, eu, a você, por ti.
A diferença era meu corpo e seu coração,
porque o resto era igual, o complemento, a ajustagem.
Tive o que queria, em medida que faltava:
ALMA.
Agora observo a mais bela pintura:
um céu azul tão claro quanto as gotas que caem
nos vidros da janela.
28/03/01
sexta-feira, 17 de julho de 2009
COM O TEMPO

Eu cresci.
Agora sei o que quero e sou.
Lembro-me de quando eu era
desengonçado e instável.
Hoje vejo você e entendo.
Se você caminhar num ritmo ameno,
sua mente clareará.
Seu coração ficará tranquilo.
Respire sem pressa ou tensão.
Vou deixar
as portas e janelas abertas
como tenho feito.
E caso você queira equilíbrio,
pode se apoiar.
Me ofereço
por inteiro,
verdadeiro,
pra tudo.
Sempre.
17/07/09
terça-feira, 7 de julho de 2009
EXCELÊNCIA MORTAL

“Quero um túmulo bem bonito”,
você pode desejar,
mas é só um buraco fundo
igual ao de mingúem.
Vi um túmulo de pedras,
branco à beira do caminho
(conheço um velho longo em dias),
molhadas pedras pela névoa
da manhã que o sol não dissipou.
Ainda a morte
está em tudo na vida:
No sorriso amigo,
no falso falar.
Distintas tantas cores
quando o sol aponta ou desponta:
A vida é a morte,
e a morte é a vida.
As nuvens esparsas
me lembram defuntos
ao matinal repouso.
O movimento no céu
é o mesmo na terra.
Nuvens na terra: restos mortais
no céu cemitério.
E o deus astro desfila
distribuindo vida à terra.
Não, não tenho vida
(estou no céu);
Sinto o Amor danado,
santo, impuro e purificado,
retificado, ratificado
menino e maduro.
É duro, é difícil sentir.
Sinto, e sinto muito
mas diferente:
Quero paz e comunhão,
nesta ordem; e descanso.
Sou antiquado, duro, indomável,
não me entrego;
e romântico fácil.
Paz,
só quando comungar com a Morte.
O quente calor da terra e do Amor.
A Morte me quer por companhia.
Aonde vou, tenho notícias de mortos.
“É coisa da vida”, posso pensar,
mas ela não disfarça sua atração,
enquanto eu sim.
Porque não é só atração, é Amor, suave.
Quero um túmulo bonito
se possível,
mas quero um que seja simples
como fui, sou e serei.
16/12/96
DOR
A Alma sente o amor.
Amor Incomportado.
Impossível.
Alma sente o desejo
de sentir o Amor dentro de si.
O Amor não se importa
com a Alma.
Muitas coisas os separam.
A Alma solitária
vê sua solidão,
vê a Solidão;
a Alma chora,
ou tenta chorar.
Não pode, pois não
lhe é permitido.
Ela tem que ser forte.
Está e é infeliz.
Criança infeliz,
a esperar em vão,
a mão quente, que
irá tirá-la, libertá-la do frio,
íntimo e constante
da Alma.
Alma musa, meiga,
inatingível aparentemente;
Esperando um mimo
qualquer que seja.
Só, Alma, só.
Sonha, louca,
com a companhia,
quando a companhia
não vem,
não existe.
Está beirando
seu limite,
não tendo limite,
não sabendo até
onde pode ir.
Sente dor,
querendo isso.
Cada vez mais, dor.
Ela está anestesiada.
Insensível e cauterizada.
Beira o abismo,
o Vale da Sombra
da Morte.
Buscando o Amor
onde sabe que ele não está.
Querendo-o achar.
Dependente dele,
d'outros.
Precisa de alguém,
repele a todos,
ama o amor.
Busca a Morte.
Suicídio.
12/04/96
PUREZA DO CORAÇÃO

+ Harmonia Harmônica
- Harmonia Desarmônica
+ Desarmonia Harmônica
- Desarmonia Desarmônica
A Pureza do Coração:
o afeto mais profundo;
o sentimento verdadeiro;
a emoção mais intensa.
que ele não seja egoísta,
que seja sincero,
que ele seja fiel,
e que para ser completo,
que ele possa superar o Tempo.
01/09/97
ENCENAÇÃO

Recuperei a fé e
até que poderia viver sozinho.
Mas o que eu faria com a liberdade?
Senti-me mal
e pus meu coração em suas mãos.
Você apertou com medo de que ele escorregasse:
eu senti, você parece que não,
pois o entregou na mão
do meu amigo trajado de inimigo.
Ovelha disfarçada de lobo
pra mim, é lobo.
Que põe meu coração no peito e bate
longe de mim, perto de mim.
Fiz a minha parte, tudo que me cabia, e algo mais.
Só que algumas coisas não compensam
(o seu amor medroso, por exemplo)...
Você joga fora o amor que lhe dei.
Já sofri demais,
agora quero curtir o quanto sou precoce,
a criança madura dentro de todos nós.
O sobrenatural desceu ao natural.
Decorei números de placas
e elas mudaram:
de número, de caminho – não os vejo mais.
Tudo que cresce muda com as crises.
A bala que você gosta, comprei pensando em mim.
Vou dar uma dúzia de rosas (vermelhas) a mim por nós.
Nossas alianças de compromisso, vou usar as duas.
Pensei que houvesse mais
pela altura que a balança
me jogou no desequilíbrio.
Caí em pleno aberto
o mar me envolveu.
08/04/98
DIFÍCILS

Mudanças, variações.
O tempo escorre lentamente
para uma ampulheta,
sendo pingado por um conta-gotas;
Gigantes para pouca areia,
ou para pouca água.
E eu fico suspenso
nesse pouco tempo:
estranho, estrangeiro.
O povo está em crise:
prenúncio de revolução.
Tem-se a impressão
de que o tempo voa
com grandes asas.
A cúpula
não tem relógio.
Tenho a impressão
de que o tempo não passa.
Não tenho relógio.
São prenúncios de
mudanças de hábitos.
Trocar de vida pode doer,
ferir, sangrar.
Largar as muletas,
os sistemas de sobrevivência,
pode incomodar,
até atrapalhar.
Porque não estamos acostumados
com a nova rotina.
Mesmo que a velha seja nociva,
reclamamos.
Largar a solidão e o
silêncio de lado
é difícil.
Abraçar o amigo e o
diálogo parece ser ainda mais.
Eu sei ouvir,
compreender e
aconselhar, até.
Mas falar de mim...
(com um desconhecido é melhor.)
Viagem, viajem.
Vai, luz, e me leva.
Me tira desta arena
onde se digladiam
o touro e o toureiro:
O primeiro é o instinto,
masculino.
O segundo é a sensualidade,
feminina.
Ela o domina e faz
dele o que quer,
dentro da arena.
Vem,
e me leva pro vale;
Mesmo que eu não saiba
o que lá me espera.
Lá as coisas
começarão a mudar.
Já me libertei do
relógio opressor.
Mudanças, maturidade.
Os olhos são infantis
e vêem a beleza.
Passar dela pro desejo,
é um pulo.
Queria arrancá-los
e não mais ver;
Só com o coração sentir:
o amor não precisa dos olhos.
O desejo deles derruba
o amor quase todo.
A infantilidade minha
joga a maturidade por terra.
Vou lutar contra os olhos
para poder viver com eles.
Quero ver e sentir o que é belo.
23/02/96
terça-feira, 23 de junho de 2009
DEMONIZAÇÃO

Queria poder dizer de uma forma descomplicada
tudo que sinto por mim e por ti; pelo mundo.
Mas minha cabeça muda tanto e tão rápido
que o que era, agora já não é.
E me dizes que tenho o demônio no corpo!
Eu não sabia que era isso – se é que se pode definir algo que não conhece apenas pela manifestação do exterior.
Rebolei e não fiz por mal
mas a tua tatuagem e as marcas no teu corpo me excitam,
tanto quanto tua voz e o teu ritmo: você é um dos meus ares.
Demonizei meus olhos com minha própria escuridão
(não preciso de ajuda externa para isso).
Teu corpo não precisa ser o perfeito para eu desejar,
é apenas o que falta, o que gozo em ti.
Respeito teu templo, e tenho as chaves para abrir o meu.
Não somos escravos do desejo próprio ou alheio.
Me sinto nu; de olhos fechados ou com os ouvidos tampados,
por isso te contemplo a alma em todos os corpos.
Desafio-te a provar, pois traição não existe:
Se ficas comigo, estás comigo;
Se ficas com outro, estás também comigo.
Meu amor não tem posse ou liberalidade,
é naturalmente livre e desimpedido.
Mas não dê ouvidos ao teu coração.
Atenta para todo o teu ser: não te partas, não te dividas, não te fraciones.
Tem uma vontade e sê fiel a ela somente
Anjos e demônios não podem decidir por ti.
07/03/03
terça-feira, 12 de maio de 2009
LADOS LAGOS

Morro morto, adormecido vulcão.
Tempestuosa chuva, sereno lago.
A boca não tem sexo
quando devidamente barbeada
ou sem batom.
Como a natureza,
como nós.
O lado de cá
sempre fingindo.
O lado de lá
fingindo mais.
Eu sou a verdade
e tenho que me esconder.
Morro mudo
no lago a cova
da comida de piranhas.
Te mostro espinhos,
não as rosas
do amor estéril
em minhas entranhas.
Tenho saudade de ti
e me lembro de tudo
e tua presença distante
me consola, é real.
06/01/97
FINAIS E PRINCÍPIOS
O amor é a dor
que não dói ao doer,
que mesmo doendo não se sente
e sentindo não se sabe que se sente.
Dor, de amor.
Prazer, de amor.
Ódio, de amor.
Amor, ... ao amor.
Nos finais e princípios de todo cotovelo
sempre tem um amor, uma dor.
No ódio, o prazer e a dor... do, Amor!
07/02/95
quarta-feira, 6 de maio de 2009
CH’I
Quando acordei, senti sua falta ao meu lado;
a cama ainda estava quente, e desarrumada.
Tive um sonho estranho, que me molhou todo.
Era verdade que eu fui um aborto
e vi você no meu lugar.
No meu banho, você se lembrou de mim,
e principalmente de que não gosto de que me olhem nu.
A barba foi feita antes
bem do jeitinho que eu gosto.
Eu uso o seu perfume
embora prefira senti-lo em você.
Por onde passo não há sensação de novidade
e os seus passos seguem comigo.
Eu quase que poderia sentir o calor da sua mão
se não fossem os anos e a distância que nos separam.
Mas em cada detalhe
eu vejo que você está lá, e aqui
dentro de mim.
O Tempo me conta suas histórias
e por isso você continua vivo,
como quando antes de sermos dois.
Suas mãos tocaram as minhas
e seus olhos me viram com amor.
Depois quando vivi,
procurei tanto em todos os olhos
um olhar semelhante ao seu
e muitos me reconheceram!
Muitos outros mais, porém, não se deram de beber.
Se eu pudesse, uma vez que fosse,
e por mais rápido que conseguisse,
mergulhar por um instante dentro do infinito,
nunca mais de lá sairia.
Preciso de toda intensidade e de toda autenticidade:
preciso de você.
Lembro do sonho que tivemos juntos
um dia e hoje, eu sei
- nada foi sonho
nada é real -
Eu sou você.
Você é eu.
26/11/97
terça-feira, 5 de maio de 2009
CAREZ

Como é bom alimentar
uma coisa, uma esperança nova.
Coisas velhas ficam para trás
e tudo se faz novo.
Ela me remete a, simultaneamente,
passado, presente e futuro.
O prazer chega perto
do horizonte distante,
que eu não podia ver,
agora perto de mim.
Tudo começa no fim do tempo.
Obrigando a desfrutar o máximo
do tudo no resto que sobra
do crepúsculo:
nem dia (trabalho)
nem noite (descanso).
E não há meio termo.
06/08/96
segunda-feira, 27 de abril de 2009
CADEIAS DE AMOR

Numa noite senti tua falta. No silêncio escuro da minha cama, lágrimas caíram. Anelava o teu peito nu nas minhas costas, teu braço a me proteger, tua mão a me acariciar. Tu dormindo e eu amando-te. Queria sentir tua respiração no meu ouvido, desejando que a noite nunca acabasse, que a lua fosse sempre nova, que tu sempre me tivesses. Sou fraco: só com teu olhar já me derreti, e com teu toque, já não existia: era um prolongamento teu, parte tua, submissa. Sentindo toda a tua força percorrendo em meu corpo, te encontrando fazendo morada no meu coração inconsciente e no meu pensamento. Pelo menos em mim você estaria livre na prisão. Me direcionando por controle remoto à distância e perto de mim. Tu ofuscando-me, sol do meio dia, deixando-me sem direção, lua nova, sem sombras. Mas, como os astros, apenas brilhas, sem te importares a quem iluminas de longe com tua viva presença ausente.
30/03/96
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