Hoje é tempo.
Tempo de arrancar o amor plantado.
Tempo de queimar o amor ceifado.
Tempo de destruir o amor erigido.
Tempo de quebrar os espelhos.
Tempo de rasgar os véus.
Tempo de matar seus olhos mortos.
Tempo de cear.
Coma das minhas carnes.
Beba do meu sangue.
Coma do meu espírito.
Beba da minha alma.
A noite hoje é de luto.
Todos são dias de morte.
Cálix de amargura.
Temperado de orgasmo.
Mas eu não gozo.
Espero por você, me delicio no seu prazer.
Eu já conhecia seu corpo
Por experiência própria.
E descobrir o seu corpo
É fascinante, excitante. É...
Mas acabou.
O tempo acabou.
O Feliz Ano Novo antigo morreu.
Despeça-se das alegrias
Que ele lhe proporcionou.
E das tristezas também.
Outras coisas virão.
Não são novas,
Mas as mesmas coisas velhas
Vão acabar e começar.
Morrem umas.
Nascem outros.
O espero no futuro!
31/12/96
Mal gosto de maltratado ser.
Pela primeira vez eu disse que estou bem;
e do meu lado avançam as crises,
eu suportando a barra dos problemas.
Ninguém é de ferro, graças a Deus
- Não maltrate o coração,
pare de rotular as pessoas -
Queira ou não,
elas são parte de você
(você não é parte de mim).
Em tempo eu pude ver e comprovar:
o Amor se cala,
você não;
Ele se doa,
você me usa e me suga.
Ele não é falso e cuida por mim,
você é, e não.
Por quê então continuar se Ele não existe?
Em mim por você e de você por mim?
Só volto a minha palavra uma vez -
ainda acho por quem faça mais,
porém garanto que não é você.
Não será um erro o homem ter um coração?
Ou o erro está em deixá-lo partir?
Ele foi, voltou,
e não posso mais voar
(meu corpo está impregnado de petróleo -
eh, desgraça ecológica!).
Arrancaram minhas pilhas Duracell
após mais de doze horas do maior prazer do mundo.
Caí na depressão,
sem vontade de xingar,
sem vontade de comer;
Eu podia morrer aqui mesmo
no meio do meu erro.
Aprendi minha maior lição de Amor:
quando Alguém me olha,
vê além das minhas cicatrizes;
Me enxerga com Amor.
Então não sei o que é água ou o que é vinho
se é o novo o velho ou a de sempre.
E eu choro ao sentir
que só Um tem este Amor.
22/03/98
Sabe,
Eu fico tão deprimido
Quando olho pra mim...
Essa auto-visão solitária,
Parece por cima,
Mas na verdade, olho-me
É de baixo para cima.
Meus defeitos são maiores
Do que eu.
Minha solidão e necessidade de alguém,
De afetividade, de amor,
São maiores do que eu.
Cada vez fico MENOR, Menor, menor...
Até sumir, me afogar
No meu vazio e dor.
Agora,
Olhando pro alto,
Te vejo assim também,
Absorto em tua dor e vazio.
Se eu te ajudasse
A sair da tua dor,
Teria primeiro que sair da minha.
Nós dois juntos,
Tiraríamos mais um.
E assim sucessivamente,
Indefinidamente...
Mas meu egoísmo
É tão, tão grande,
Que não te olho.
Ficamos atolados
Até que
Alguém
Venha nos salvar disso,
Venha nos curar disso,
Venha nos tirar de nós
E nos pôr ao Seu lado, de pés.
13/06/96