segunda-feira, 23 de março de 2009

ÁGUA


Sinto o gosto insípido
Que vem depois da euforia;
A amarga sensação
De derrota e fracasso.

Nesse espelho incolor
Vejo minha fraqueza e covardia.
Eu inodoro fedendo
Lágrimas de arrependimento

Por não ter feito,
Por querer ter feito,
Era só estender a mão!...

Mas me larguei
Onde estou agora.

E depois de engolir a comida
O gosto desce com ela.
Minha língua se alterou.
Só não fui tão ferido
Porque fracassei.

Estou mais vazio ainda
Do que antes.
Esperança agora
Morreu e enterrou
Na terra seca
Do meu coração, deserto.
O sol escaldante,
Os ventos vêm e vão
Levando o que restou:
Nada, rocha.
Lençol de água
Que lava e leva
Os sentidos de mim.
A razão de mim.
E você de mim.

Tempo.
Vento que vem e vai
Levando água.
08/07/96