
Imenso espaço vazio aberto.
Nada me atrai (sem fome).
Nada entendo (preguiça).
Meu interesse me cega e não vejo nada mais.
Não há realidade.
Meus planos feitos sobre um terreno mais ou menos sólido
que Amor (pensava eu) me ofereceu,
joguei pro alto (foram jogados por quem ofereceu).
Peço perdão por uma coisa que não fiz:
evitar que Paixão invadisse (de novo) minha vida
e me amarrasse, me atormentasse.
Incandescente, não me largará até consumir
por total minha essência de vida.
Ela me deixa louco com suas cores e formas.
(Como ela foi ser tão perfeita?
... os olhos ... a pele ... os cabelos ...
Ou será que eu é que estou cego?)
Me deixa louco com seu jogo
(que sabe e se faz de inocente).
Sobe um frio da barriga ao coração,
que vai se alojar no imenso espaço
vazio (e frio) aberto
deste.
25/09/96
