segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

ACAMPAMENTO


Fogueira altaneiramente
armada no alto monte;
Caprichosamente cuidada
a durar a noite toda.
Elevando suas chamas
ora gulosas ora cândidas,
cobiçando o posto das
estrelas e orgulhando-se,
por ciente da inveja que
é motivo das que longe vão.
A chama, indecisa,
a cada momento
quer alçar diversa estrela.
Na ânsia atrai
sua admiradora,
traindo-a a descer,
caindo por terra,
bela, em seu esforço.
Cada uma aprimora-se
mais em sua própria
forma, sonhando a outra.
Enquanto o defensor do fogo
não vê diferença entre a
estrela que cai ou a
labareda que estala.
Como também não há
qualquer semelhança.
Apenas em seus sonhos
ambas se vêem,
conversam, e dançam
a mesma música.
Não há do que sentir saudade
porque não há risos conjuntos.
A Memória passou com o vento,
mas a Existência não termina
com a cinza.
18/08/02

BONECA DE CERA

Moldei uma vela de cera branca, perfeita:
corpo de boneca e face de porcelana,
olhos negros e cabelos idem
cílios longos e sobrancelhas finas -
adoro tuas cores, esta combinação...
Mas o mais surpreendente é a dimensão
que a obra pode tomar desligada de seu autor.
Ela se ensoberbeceu em sua beleza,
se fechou em sua ignorância;
Conscientemente se opôs à finalidade
para ela proposta, planejada previamente:
Levar a luz ao mundo, o calor ao próximo
e o desejo de crescer
a todo aquele que a vir diminuir,
sublimando-se em benefício da humanidade
ao prestar uma utilidade pública.
Apagou o pavio e fumegou,
reclamando da fumaça e do mau cheiro.
Colocando a culpa no escuro que apareceu
e dizendo que o autor é que estava errado.
Mas é apenas uma
em meio a tantas velas
que aspiram um dia se tornar estrelas
com toda glória e esplendor
que aquece e ilumina os mundos
criados na mente de uma criança.
15/05/03