
Fogueira altaneiramente
armada no alto monte;
Caprichosamente cuidada
a durar a noite toda.
Elevando suas chamas
ora gulosas ora cândidas,
cobiçando o posto das
estrelas e orgulhando-se,
por ciente da inveja que
é motivo das que longe vão.
A chama, indecisa,
a cada momento
quer alçar diversa estrela.
Na ânsia atrai
sua admiradora,
traindo-a a descer,
caindo por terra,
bela, em seu esforço.
Cada uma aprimora-se
mais em sua própria
forma, sonhando a outra.
Enquanto o defensor do fogo
não vê diferença entre a
estrela que cai ou a
labareda que estala.
Como também não há
qualquer semelhança.
Apenas em seus sonhos
ambas se vêem,
conversam, e dançam
a mesma música.
Não há do que sentir saudade
porque não há risos conjuntos.
A Memória passou com o vento,
mas a Existência não termina
com a cinza.
18/08/02

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