segunda-feira, 4 de maio de 2009

DESPEDIDA


Amor, aqui me despeço.
Não posso mais me acabar com, e por você.
Cansei de escrever você.
O Amor é lindo, contudo,
só que não muda;
E não variando, cansa, enjoa.
Assim me despeço
de papel e grafite
para lhe escrever poemas.
E antes que eu me esqueça
vou lembrar-me de lhe enterrar
bem no fundo
da memória da minha história.
Ambas as três, pequenas.
E vou arrancar as suas costas
das minhas mãos.
Arrancar seus beijos
da minha boca.
Arrancar o peso dos seus olhos
de cima de mim.
Tirar o sorriso
do seu rosto.
Tirar o cabelo
da sua boca.
Tirar-me da sua história,
onde nunca fui incluído.
E enterrar-nos lado a lado,
no adeus eterno da vida.
02/05/96

DESGOSTO


Tive um jantar à luz de velas
sem comida perecível.
Consumi sanduíche de festa
com prazo de validade vencido.
Se realmente quero combustível para alçar ao céu
não deve ser mais denso do que o que eu possa digerir.
Incensos, vinhos, queijos, azeite e sal;
Terra, lágrima, suor e sopro:
O sangue que escorre é sujo,
o céu que testemunhou é negro.
Eu invadi seu corpo e você, minha privacidade lânguida.
O desejo cai ao contato seu; rói, tomba e rola.
O gosto desgasta-se no presente próximo.
05/05/03

TÉDIO ADOLESCENTE EM QUEDA LIVRE


Ah, Vida.
Ah, Fascinação.
Ah, Fantasia.
Eh, Ilusão.
Eh, Lamento.
Eh, Solidão.
Ih, Loucura.
Ih, Doença.
Ih, Morte.
Oh, Noite.
Oh, Cemitério.
Oh, Sombras.
Uh, Sepulcro.
Uh, Domingo.
Uh, Sino roxo:
Spleen,
Spleen,
Spleen.
22/03/96