Amor, aqui me despeço.Não posso mais me acabar com, e por você.Cansei de escrever você.O Amor é lindo, contudo,só que não muda;E não variando, cansa, enjoa.Assim me despeçode papel e grafitepara lhe escrever poemas.E antes que eu me esqueçavou lembrar-me de lhe enterrarbem no fundoda memória da minha história.Ambas as três, pequenas.E vou arrancar as suas costasdas minhas mãos.Arrancar seus beijosda minha boca.Arrancar o peso dos seus olhosde cima de mim.Tirar o sorrisodo seu rosto.Tirar o cabeloda sua boca.Tirar-me da sua história,onde nunca fui incluído.E enterrar-nos lado a lado,no adeus eterno da vida.02/05/96
Tive um jantar à luz de velas
sem comida perecível.
Consumi sanduíche de festa
com prazo de validade vencido.
Se realmente quero combustível para alçar ao céu
não deve ser mais denso do que o que eu possa digerir.
Incensos, vinhos, queijos, azeite e sal;
Terra, lágrima, suor e sopro:
O sangue que escorre é sujo,
o céu que testemunhou é negro.
Eu invadi seu corpo e você, minha privacidade lânguida.
O desejo cai ao contato seu; rói, tomba e rola.
O gosto desgasta-se no presente próximo.
05/05/03
Ah, Vida.
Ah, Fascinação.
Ah, Fantasia.
Eh, Ilusão.
Eh, Lamento.
Eh, Solidão.
Ih, Loucura.
Ih, Doença.
Ih, Morte.
Oh, Noite.
Oh, Cemitério.
Oh, Sombras.
Uh, Sepulcro.
Uh, Domingo.
Uh, Sino roxo:
Spleen,
Spleen,
Spleen.
22/03/96