Que maturidade é independente de idade.
Que o Amor pode, e volta a acontecer, mesmo após a Decepção.
Que atitudes valem mais que palavras.
Que o tempo a gente inventa quando quer.
Que o que realmente inporta é o mais importante.
Que é impossível enganar o coração: o nosso e o de quem está próximo.
Que o medo e a coragem fazem parte de nós, só aguardando uma chance.
Que só posso pedir o que o outro tem condições de me dar.
Que confiança e liberdade tem que ser conquistadas em qualquer e a todo tempo.
Essencialmente, que o futuro é imprevisível,
Apesar da certeza da morte.
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domingo, 17 de julho de 2011
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
ME VEJO EM SONHO

Que me vejam morrer
aqueles que eu amo, pois
aqueles que me amam
já me amam mesmo...
Não recebo teu amor
e não aceitas meu amor.
Preciso deixar-te ir
sem ao menos perguntar se um dia...
Conheço meus limites
e sei que nada é em vão.
Embora pouca coisa surta efeito,
uma liberdade que seja proibida,
uma libertinagem sendo reprimida...
11/06/98
terça-feira, 6 de outubro de 2009
MORTE E VIDA

Mas a vida era tão boa...
Ou será que não me lembro bem?
Tantas lembranças que
Eu continuo morrendo.
Estou morto.
Vivo no purgatório;
Inda não achei saída
Deste vazio fogo que
Arde e queima minha carne.
Seus olhos me devoram.
O peixe morre pela boca (aberta).
O sapo explode com o cigarro (fechada).
Estrela do mar vomita e engole.
O homem maltrata o que come.
Você me mata sem seus beijos.
Eu morro em seus beijos.
Malditos os meus olhos que dizem e
Maldita seja minha boca sem freio,
Minha língua cega,
Meu sorriso falso.
Nada é fácil
Numa noite de verão.
Brinquei com fogo
E me queimei.
Eu sabia, mas não quis saber.
Subestimei a malícia
E errei:
O desconhecido me surpreendeu.
As reações são diferentes...
Eu deveria saber
E percebi, agora sei.
17/02/97
terça-feira, 7 de julho de 2009
ENTREGA

A morte é
uma passagem
para outra vida.
Morte antes,
durante e depois:
corpo alma espírito.
Cuidado, o poeta
está morrendo.
Não só agora, e
também depois,
atentem para suas palavras.
Sofrimento, dor,
ilusão, amor.
Respiração:
roubo de ar
e suspiro.
Só agora
tenho uma visão geral
de todos que estão aqui.
O anjo vem com
o óbito atestado:
parada cardíaca.
TerNuraETerna diz
“Ele morreu porque
a alegria,
o amor,
o carinho,
os afagos,
o calor humano,
e os amigos
foram seqüestrados
da sua vida.”
Só que o demônio foi
o mais incisivo, com
meias verdades e meias palavras:
“Foi um espírito
de passividade
intelectual e emocional
que se apossou dele:
tudo estava lá
e ele não conseguia
alcançar.”
Tenho que admitir
que ninguém está errado.
O poeta morreu de
tudo isso,
numa clara manhã,
em cima da cama.
O ser noturno
que não se adaptou.
E que por isso
TerNura ainda
ouve sua voz
no íntimo de seu
coração, depois do
momento Ah!
A morte deixou
sua profunda cicatriz
no rosto da
lembrança.
A virgem entoa
um calipso inusitado
o tempo todo
até o fim da morte.
12/03/96
segunda-feira, 22 de junho de 2009
CRIAÇÃO

O absurdo da criação:
A criatura parecer
com o criador -
Um egocentrismo caro:
matando-a,
mata-se ao
deus que a criou.
Ela não pode viver
no mundo dele
e nem o contrário.
Não sabem, contudo,
que sua dor é a mesma;
Que estão ligados
pelo amor da criação
e pela dor
da frustração:
Cada qual no seu
canto chorando
a ausência do outro,
e exigindo direitos
que não foram eleitos.
Quando a vida foi
criada, a morte
também veio -
uma vida, várias mortes.
A dor é a mesma
que une as duas pessoas
feitas separadas.
Belo e Caricatura.
São iguais,
necessidades iguais,
dores iguais,
ódios e amores iguais.
Criador e Criatura.
É a mesma coisa.
O mesmo frio fim
para os dois,
da agitada vida
(Ela se rendendo
e ele se doando),
para acabar
com os sofrimentos
que os eternos
iam penando.
Um último grito
da criatura -
ele se calou,
não tinha e
renegou o direito.
Fez o que
achava que era certo.
Encerrou a vida
sob a morte.
Pelos séculos dos séculos
o segredo permanecerá
debaixo das ondas
do mar.
14/03/96
terça-feira, 5 de maio de 2009
CAMUFLADO
O chão some dos meus pés.
Eu sumo de vista das pessoas.
A sombra e o escuro me encobrem
de noite e dia, lua a lua, sol.
Absorvo como esponja
a energia da morte que está no ar.
Vou me despojar dos esquemas
e sistemas.
Vou ser mais livre ainda para voar.
Nada sobrará dentro de mim.
Não acho ninguém onde deveria achar;
Sozinho canto querendo alguém,
escuto eco pensando em ninguém.
E viajo agora, sempre agora
sozinho agora e sempre.
(Nem eu me agüento. Quem agüentará?)
No tempo perfeito,
uma folha que roda.
É melhor rolar por baixo,
underground.
Joga-me na cruz,
condena-me,
mata-me com pedras,
se não tiveres culpa.
Também eu a tenho.
A morte eterna,
uma vida, uma ilusão.
O que rola nos esgotos.
Te ver me basta,
não quero mais que isto.
Uma mosca pousada em mim,
dois dedos e milhões:
Sensação de céu
no esgoto.
Só alimento minha ilusão,
minha vida, como moscas
em baixo tom.
(Não tenho garra.
Só tenho unhas, longas e curtas.)
20/12/96
segunda-feira, 4 de maio de 2009
DESPEDIDA
Amor, aqui me despeço.
Não posso mais me acabar com, e por você.
Cansei de escrever você.
O Amor é lindo, contudo,
só que não muda;
E não variando, cansa, enjoa.
Assim me despeço
de papel e grafite
para lhe escrever poemas.
E antes que eu me esqueça
vou lembrar-me de lhe enterrar
bem no fundo
da memória da minha história.
Ambas as três, pequenas.
E vou arrancar as suas costas
das minhas mãos.
Arrancar seus beijos
da minha boca.
Arrancar o peso dos seus olhos
de cima de mim.
Tirar o sorriso
do seu rosto.
Tirar o cabelo
da sua boca.
Tirar-me da sua história,
onde nunca fui incluído.
E enterrar-nos lado a lado,
no adeus eterno da vida.
02/05/96
quarta-feira, 8 de abril de 2009
BASTA
Sinto a força em minhas mãos
mas é só por um tempo.
Alegria de ilusão.
Portanto, quero morrer cedo.
Caso contrário,
este velho vai ficar mais ranzinza.
Cada vez mais gago,
cada vez mais lelé
em minha lucidez.
Alguém vai ter que me ajudar
a ir ao banheiro;
Não era isso que eu queria.
E meus filhos não poderão
cuidar de mim.
(Que filhos? Não tenho.)
Minha força me abandonou
e carregou um pedaço de mim.
Só sinto esta vida
velha e pesada
sobre meus ombros, pulsos e artelhos.
Não falo do que não conheço
e entendo bem.
Sinto através dos meus e dos teus olhos.
Ensine-me de novo a sorrir
enquanto continuo a sublime tarefa
de saber viver.
Talvez eu me arrependa
de tantas palavras vãs.
Agora vejo, além de olhar
(o que tenho de melhor).
Será que estaria tudo errado?
16/01/97
quinta-feira, 2 de abril de 2009
APO-TEO (AFASTAMENTO DE DEUS)

Estou em chamas.
O sol me queimou.
O inferno mora em mim.
O fogo está ardendo.
A fumaça vai longe.
Todos podem ver.
Não adianta tentar abafar.
Um mentiroso reconhece o outro.
Eu sei.
Alguém sabe.
Vou me trancar na solidão gélida.
Vou me trancar na solidez de mármore.
No inverno polar.
Vou tentar apagar essa chama.
Chama viva de morte.
O inferno no céu.
O fogo no gelo.
Foi o sol.
O céu é de ferro.
A terra é de bronze.
O ar é sangue.
Minha vida é morte.
Qual o motivo, razão ou circunstância?
O bel-prazer.
A própria dor.
Não quero saber do sol.
Quero ficar branco como o gelo.
Branco como a morte: preta.
Sol.
Não ouço sua voz.
Não vejo você.
Não sinto sua quente presença.
Você não vai fazer nada, eu sei.
Ele não vai fazer nada.
Vou continuar lá na frente.
E do mesmo jeito que antes.
Não lhe conheço mas estou aqui.
Me desamarre que eu quero ir.
Você não cuidou de mim.
Não conheço sua voz.
Não conheço seu rosto.
Não conheço sua mão.
Você não se revelou.
Não me importam seus raios;
Que eles estejam nos pólos.
Vou estar debaixo da terra.
Debaixo do gelo.
Longe de você.
No inferno da solidão gélida.
No inferno da solidez de mármore.
No inferno do inverno polar.
Estou ardendo em chamas.
E vou me queimar.
No interior do fogo terrestre.
Sol.
Vou me consumir no inferno.
Há vasos para honra.
E para desonra.
Filhos e criaturas.
Não me importo com ele.
Faço parte delas.
Sol.
Pode derreter a calota.
Pode fundir a terra.
Estarei no meio de tudo.
Como você sempre quis.
Uma parte do todo.
Tudo vai acabar com fogo.
Já estou queimando.
03/04/96
quarta-feira, 1 de abril de 2009
AORTA

Minha aorta está vazando – socorro! Estou quase sem estancar esta eterna hemorragia interna – meu corpo está roxo de raiva, de desejo. Não posso suportar. A minha última resistência se foi. E agora você vem afagar o que matou? Não, não precisa adornar com flores – elas não valem a pena. Eu me adornei com meus sonhos, idéias e pensamentos. Levarei tudo comigo para onde eu for. Meus desejos sempre me acompanharão e nunca vão mudar – acho, temo. Tenho que recuperar a essência da minha vida. Ela se foi com o vento. Agora não tenho certeza de nada.
26/03/96
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