terça-feira, 7 de julho de 2009

ENTREGA


A morte é
uma passagem
para outra vida.
Morte antes,
durante e depois:
corpo alma espírito.
Cuidado, o poeta
está morrendo.
Não só agora, e
também depois,
atentem para suas palavras.
Sofrimento, dor,
ilusão, amor.
Respiração:
roubo de ar
e suspiro.
Só agora
tenho uma visão geral
de todos que estão aqui.

O anjo vem com
o óbito atestado:
parada cardíaca.
TerNuraETerna diz
“Ele morreu porque
a alegria,
o amor,
o carinho,
os afagos,
o calor humano,
e os amigos
foram seqüestrados
da sua vida.”
Só que o demônio foi
o mais incisivo, com
meias verdades e meias palavras:
“Foi um espírito
de passividade
intelectual e emocional
que se apossou dele:
tudo estava lá
e ele não conseguia
alcançar.”
Tenho que admitir
que ninguém está errado.
O poeta morreu de
tudo isso,
numa clara manhã,
em cima da cama.
O ser noturno
que não se adaptou.
E que por isso
TerNura ainda
ouve sua voz
no íntimo de seu
coração, depois do
momento Ah!
A morte deixou
sua profunda cicatriz
no rosto da
lembrança.
A virgem entoa
um calipso inusitado
o tempo todo
até o fim da morte.
12/03/96

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