terça-feira, 7 de julho de 2009

EMBALSAMADO


Uma segunda chance;
Duas segundas chances;
Três segundas chances.
Sempre preciso de mais, pois que
as tragédias são constantes.
E minha língua se apega
ao céu da boca,
seca e mumificada de tanto sal
e da inveja que me morde todo
o interior da boca, a mucosa.
Fui dissecar com os olhos
e ao invés, fui dessa pra pior.
Não balanço mais ao sabor dos ventos:
minhas raízes são por demais amargas e profundas.
E os ciganos estão indo embora
levando minhas mulheres e meus filhos
em pagamento da dívida que
resolvi assumir em lugar d’outrem.
Sou apenado por minha bondade
(como motivo exposto e aparente
quando o que é causa e razão
dos carrascos e algozes internos
é a maldade que ninguém vê,
a tristeza que aloja-se na suíte
dos sonhos e coração: inveja)
e não abro a boca, covarde,
como insinuação de coragem.
Não sou engraçado, não uso óculo,
não tenho ou mereço a Resposta.
Dissecado, com sal e raízes maléficas
amargas, sozinho, de novo.
21/11/03

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Seu pensamento é responsabilidade sua, de ninguém mais.