
Mudanças, variações.
O tempo escorre lentamente
para uma ampulheta,
sendo pingado por um conta-gotas;
Gigantes para pouca areia,
ou para pouca água.
E eu fico suspenso
nesse pouco tempo:
estranho, estrangeiro.
O povo está em crise:
prenúncio de revolução.
Tem-se a impressão
de que o tempo voa
com grandes asas.
A cúpula
não tem relógio.
Tenho a impressão
de que o tempo não passa.
Não tenho relógio.
São prenúncios de
mudanças de hábitos.
Trocar de vida pode doer,
ferir, sangrar.
Largar as muletas,
os sistemas de sobrevivência,
pode incomodar,
até atrapalhar.
Porque não estamos acostumados
com a nova rotina.
Mesmo que a velha seja nociva,
reclamamos.
Largar a solidão e o
silêncio de lado
é difícil.
Abraçar o amigo e o
diálogo parece ser ainda mais.
Eu sei ouvir,
compreender e
aconselhar, até.
Mas falar de mim...
(com um desconhecido é melhor.)
Viagem, viajem.
Vai, luz, e me leva.
Me tira desta arena
onde se digladiam
o touro e o toureiro:
O primeiro é o instinto,
masculino.
O segundo é a sensualidade,
feminina.
Ela o domina e faz
dele o que quer,
dentro da arena.
Vem,
e me leva pro vale;
Mesmo que eu não saiba
o que lá me espera.
Lá as coisas
começarão a mudar.
Já me libertei do
relógio opressor.
Mudanças, maturidade.
Os olhos são infantis
e vêem a beleza.
Passar dela pro desejo,
é um pulo.
Queria arrancá-los
e não mais ver;
Só com o coração sentir:
o amor não precisa dos olhos.
O desejo deles derruba
o amor quase todo.
A infantilidade minha
joga a maturidade por terra.
Vou lutar contra os olhos
para poder viver com eles.
Quero ver e sentir o que é belo.
23/02/96

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