sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

ANDANDO



Andando.
Andando só.
Só andando.
Só andando só.
Andando na cidade.
Andando só
na cidade.
Só andando
na cidade.
Só andando só
na cidade.
Cidade viva.
Andando
de pés amarrados,
mãos atadas, só.
Na cidade morta.
Tu não estavas aqui
quando precisei de ti.
Ninguém quer
saber o porquê.
Eu. Vazio.
Viva, morta.
Viva-cidade
vazia.
Nada.
Dezesseis dores.
Dor!
Dezesseis ais.
Ai!
Mãos atadas,
pés amarrados;
tu não viste,
ninguém viu,
eu andando.
Nada-dor.
Eu-vazio.
Tu-morta.
Viva-cidade
cantando e andando
indo pra
um lugar nenhum.
Eu esperando ninguém
nem pensando em ti.
Vou só
pelas ruas
vazias da
cidade.
Sem ter para onde
ir.
Não querendo eu
chegar.
Alguém me esperando,
não tu, que estás
em casa.
Passo com vagar.
Como? De vagar.
Divagar
na incerteza
melo-sonora.
Ecos d’alma
amarrada, atada,
viva,
vazia,
nada,
dor,
andando,
morta.
Tu.
Cidade adormecida.
Eu desnorteado
esperando
nós.
14/04/96

ARMAS DA VITÓRIA

Admiro alguém que saiba
mergulhar na alma
e do oceano que ela submerge
trazer os tesouros de navios ricos
de piratas perdidos
porque não houve tempo de chegar
e guardar na ilha deserta
a riqueza de uma nação.
A Riqueza de um coração,
um sonho um sentimento.
O Poder que foi cobiçado
e arrancado à força.
As armas de combate prontas,
nobres como os ideais
que manipulam a cruz a palma a vieira.
E Os metais que dominam
a vida e a Morte.
Do alto e esguia
desce a sentença
e corre depois em desabalado galope
para cansar-se e descansar
sobre a palha, sob a seda.
Melhor ser, se simplesmente
sobre a seda, que esconde
um colo alvo e límpido;
que por ser fiel e casto
não é menos nobre
ao ser descoberto e vivo.

Admiro o guerreiro que sabe
que sobre as vicissitudes do caminho
e as intempéries da vida
é preciso ter coragem;
é preciso vencer
com a arma que está na mão;
em tempo de guerra
ou tempo de paz.
Pela vitória, pelo amor e pelo cordeiro.
Ele sabe que o inimigo existe,
onde ele está
e quando vão se encontrar.
Pois eles têm um papel a cumprir
com todas as suas forças;
Seja pelo amor
seja pelo ódio
têm que chegar ao final
e trocar a espada pela coroa.
A Suprema Recompensa consumada
pela espada amparada pelas mãos.
O melhor espírito de escravo à fidedigna.
Honras e glórias
aos rios de sangue
que mancharam seus olhos.
A sua força,
a verdadeira arma
cujo peso é seu eternamente;
Pois não há como
trocar o respeito, o interesse,
e a sua relação
com o Universo.
02/08/97

APARÊNCIA

Desde muito tempo,
da vida que me lembro
é a primeira vez que me sinto assim:
Feliz.
É o astral do ano que chegou.
Tudo parece se limpar,
se pôr em seu devido lugar.
Com todas as saudades que tenho
vejo que me perdi
e estou maior.

Esta noite sonhei com você
Eu lhe possuía e
você se entregava
Gosto de saber e provar
que meus olhos não me enganam.
15/02/98