segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

VEJA O MEU CORAÇÃO


Vê se em meu coração
Ainda há saudades suas e as leve embora com a sua
Presença.

Dorme em meu peito
Como o amor que um dia conheci primeiro
Aqui.

Lembro-me como, e agora
Você inunda minha mente
De imagens doces, cálidas,
E odoroso toque.

E tudo acontece porque
Eu penso em você
Com todo meu carinho
De quem sabe ouvir o amor dizer
Baixinho
Um "eu te amo" escrito
Por seus dedos em minha pele.

Não me contento e não me retenho
Com mixarias a ninharias.
Se sentir intenso é igual a não sentir,
Prefiro nosso amor morno
Ao ponto de ebulição.

Incapaz seria de entender Amor,
Então deixo de querer!
Desnecessário é!
Que seja incompreendido, irresponsável, correspondido.

Beijei as flores de sua alma
Adornadas com seu espírito
A visão de seu corpo parece tão real...

Mas na verdade, estou dentro do seu coração.
08/03/02

VAGAS

Pensar nas coisas e fazê-las devagar.
Pensar nas coisas que me fazem divagar.
Pensar nas coisas e de vagar vagar.
Prever que deixarei um espaço próprio.
Saber que apreenderei de forma diversa.
Conhecer que na origem toda essência é igual.

Comunhão de almas pela boca é idéia antiga;
Prazer associado ao contato físico é idéia antiga.
O contato físico comunga as almas, e
O beijo na boca é prazeroso.

Respiro devagar para divagar no vagar.
Meu olhar é tranqüilo e impassível -
Só temo a quietude do mar e a impiedade do lago.

Sou imune à minha vaidade, pois ela é tão grande que desaparece aos olhos meus e teus.
Curvo-me a meus pés e recolhes-te em teu colo.
Descanso placidamente em nossos olhos negros
- Que de negros só têm o nome.

Olhando o céu azul vi digladiarem-se nuvens,
Trocando letras e algo mais.
E no espelho dessa superfície
Fundiram-se meus olhos: o verde e o azul
Num castanho prateado.
14/03/03

TRANSPLANTE DE CORAÇÃO

olho, seus olhos.
olho, no olho.
colho, restolho
velho, um sonho
cego, jogado
no belo, restolho.
olha, a fólha
queimada, arbórea.
falho, no olho,
cego, em mim.
sofro, no sonho,
findo, pra mim.

fraco, me escondo
aqui dentro, ruim.
espêlho, escondo
meus olhos, de ti.
cristalino, opaco,
retina, e córnea.
queria, ser cego
náda-além-ver, de mim.
a morte, de novo,
me alcança, enfim.
10/06/96

TRANSFORMAÇÃO

Deixai-vos ao Tempo e ao Vento,
à Tormenta e à Seca.
(Não podeis mesmo escapar...)
Se subsistirdes, perecestes.
Vos fizéreis mais resistentes que a penha
que é vencida pelo Vento.
Ser levado pelo Vento
não é ruim.
Não vos enganeis: ele não é
vão, inconsciente ou inconseqüente.
Sabe muito bem de onde veio
e para onde vai.
Quem dera fôsseis assim!
Então, transformai-vos.
Expode-vos a mudanças, coisas novas.
Expode-vos ao Tempo e ao Vento,
à Tormenta e à Seca.
(Não podeis mesmo escapar
pondo-vos na ego,
uma concha, uma caverna.
Todo lugar é pequeno
para servir-vos de esconderijo.
Exponde-vos!)
04/08/96

TERCEIRIZAÇÃO

Não sei porquê você me deixa:
Não quer meu tempo e meu corpo;
Não tem ciúme e até gosta de sofrer.
Sinto falta do espelho possessão.

Não tenho nada pra fazer.
Só o silêncio me corrói.
A solidão é o que me cerca.
Lá fora não há nada.

Não há dor que me sustente.
Não há dor que me destrua.
Estou de mal com a loucura,
Eu tenho que viver.

Oh! mundo cruel.
Não tenho forças para te dizer adeus.
Não morro nem vivo,
Eu não estou aqui.

Meus olhos são canibais
E meu estômago, herbívoro.
Amor não existe.
Perdi meu bom
Sentido e razão,
Inerte, insensível.
13/08/97