terça-feira, 7 de abril de 2009

ARRUMANDO


Quando mexo e arrumo
Os restos do passado,
Eu rio, eu choro,
Ouvindo o que se foi
Dizendo o que é.
E os restos não o são,
O resto é tudo
Que fica
Depois do barulho,
No silêncio,
Na solidão.
Vejo que cresci, que aprendi,
Principalmente com os erros.
E as quedas
Me tornam cada vez mais
Forte, sensível.
Eu sei, mas não entendo.
Me ajude,
Que agora estou sozinho
Mas estou bem,
Feliz, pelo menos no momento.
Arrumando as coisas,
Limpando e guardando.
Porque vai começar
Tudo de novo.
Eu agüento.
Eu sei,
Mas não entendo.
E nem preciso.
O prazer é agora.
12/02/97

ARREPENDIMENTO


Seria preciso mais do que palavras
para traduzir o som do silêncio
gritando pra quem pudesse ouvir
que nada se compara a você.
Mas escutei: Amo para odiar você.
Eu disse: Viva e deixe morrer.
Porque o simples sem o
importante não sabe sobreviver.
Minha atitude se torna
- sem querer -
no algoz manso da
existência em contradição.
Não devia ter feito aquilo.
Nem lhe toquei.
Triste é pensar em ter,
e não lhe ter.
Era tão normal ser feliz,
até você aparecer,
com sua inocência consciente.
Me deixou com minha consciente inocência.
Até mais tarde; algum dia...
05/12/94