O chão some dos meus pés.
Eu sumo de vista das pessoas.
A sombra e o escuro me encobrem
de noite e dia, lua a lua, sol.
Absorvo como esponja
a energia da morte que está no ar.
Vou me despojar dos esquemas
e sistemas.
Vou ser mais livre ainda para voar.
Nada sobrará dentro de mim.
Não acho ninguém onde deveria achar;
Sozinho canto querendo alguém,
escuto eco pensando em ninguém.
E viajo agora, sempre agora
sozinho agora e sempre.
(Nem eu me agüento. Quem agüentará?)
No tempo perfeito,
uma folha que roda.
É melhor rolar por baixo,
underground.
Joga-me na cruz,
condena-me,
mata-me com pedras,
se não tiveres culpa.
Também eu a tenho.
A morte eterna,
uma vida, uma ilusão.
O que rola nos esgotos.
Te ver me basta,
não quero mais que isto.
Uma mosca pousada em mim,
dois dedos e milhões:
Sensação de céu
no esgoto.
Só alimento minha ilusão,
minha vida, como moscas
em baixo tom.
(Não tenho garra.
Só tenho unhas, longas e curtas.)
20/12/96

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