que eu finjo que não sinto nada
quando na verdade
o meu desejo e minha paixão
chegam quase a me sufocar
para lhe sufocar
e provavelmente matar a amizade.
Mas você sabe cobrir seu corpo
para me deixar de água na boca
e de mãos amarradas.
Dorme em paz, não vou lhe perturbar.
Eu deveria ter ficado quieto
e do seu lado, quando pude.
Mas eu sempre quero mais.
Sempre digo a mesma coisa
e não observei o meu limite.
Eu não conhecia limites
e fui além da conta.
Você ainda está no fundo da minha garganta,
não consegui engolir.
Mirei no poste e
acertei o fio.
Não me arrependo do que fiz
nem do escuro de minhas lembranças.
Alguma coisa aconteceu, eu sei.
Me explica
porque nada será como antes:
ou estaremos mais próximos
ou você vai ter raiva
ou você quer algo mais
ou não houve nada.
A sua mão na minha,
a minha no seu corpo,
minha boca em você,
eu sozinho em casa.
Não mendigo corpos, afeto ou amor
mendigo almas.
Não sei o que pensar nem o que sentir.
Quero o passado onde está
mas de vez em quando meus sentidos
me lembram-lhe.
Abandonei a razão
e não devo ter falado nada que prestasse
Agora quero adiar a conversa
E me preparar melhor
para estar perto diariamente -
conviver é mais difícil
pois não conheço seu coração.
Não me leva embora que,
como sempre, não quero ir.
Não fala nada,
O seu sorriso é bem mais bonito -
e a força o sustenta.
Não sei como continuar, mas:
ou lhe engulo
ou vomito.
E você, a mim.
12/07/97

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