sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

LACRADA E SACRAMENTADA

Quatro lágrimas congeladas,
paradas no tempo, paradas.
De distintas formas originadas,
um só jeito pra escapar.
Mas não, estou cansado de fugir,
para mim não dá mais:
tenho que chorar.
Lágrima por mim: Solidão.
Lágrima de mim: Amor.
Lágrima por ti: Espaço.
Lágrima de ti: Tempo.
Quatro lágrimas lavradas na cruz.

Nunca mais serei o mesmo:
O tempo acabou debaixo do céu infinito.
O corpo morreu, o sangue fluindo.
Estou só.
Longe agora.
Dormir só, descobri que é ruim.
E no canto da cama chorei só.
Rolei no colchão e sonhei (com o que não quis,)
algo inesperado;
Como chuva à tarde
sem nuvens no céu e
com o sol no crepúsculo horizonte;
Sem cor, não deu pra entender
aquela doçura imprópria...
‘Tá explicado: foi um sonho
na noite interrompida e fria.
Mais que quatro lágrimas experientes rolaram;
Dos meus olhos inexperientes
correm pétalas róseas, (flores).
Papel de flores na parede.
O resto do ano, o fogo queimou.
29/11/96

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