você não mais sintetiza tudo em si:
Tirou essa carga de cima dos seus ombros,
e redirecionei o que você ajuntou.
Quando eu enveredaria pelas ilusões
você me tirou de cabeça
e aprendi a separar e conviver.
Eu mal sabia que foi você
quem não se conteve
depois de ter guilhotinado meu sonho.
Você falou para que eu não me apaixonasse,
para que não me envolvesse,
que seria só por uma noite.
Falava que eu não conseguia ficar longe
e que sentiria a sua falta.
No entanto, no meio de tudo isso,
eu estava, estou tranqüilo.
Nunca pude enxergar através
dos seus vidros.
Mas nos últimos dias percebi
que você falava mais era para
tentar se convencer daquilo.
Eu já tinha plena consciência de tudo.
Você matou meu sonho a tiros
e não venha agora picotá-lo
que gosto de enterrar meus corpos inteiros,
vivos, intactos.
Talvez você realmente me entenda,
mas sua essência ainda é bruta.
Eu olho os corpos, não buscando carne,
mas alma viva, acesa.
Só aprecio a embalagem,
quero mesmo é o produto.
Seus beijos estão reservados
para alguém mais digno que eu?
Sim, você reservou-os.
E no seu íntimo me repudia,
se enoja comigo, você goza.
Sentimos nossas forças e fraquezas.
Não adianta eu falar que sou diferente.
Você sabe e vai saber com o tempo.
Você pensa que sabe
e vou aprender muito consigo.
Tira o seu cheiro fedido de mim
já que não quer me beijar.
Até que tenho domínio de mim.
Um pouco de medo, mas sou assim.
Cuide-se, ou você termina deitado
no sangue de uma colcha
sobre uma cama morta, vazia,
num quarto preto, mal iluminado
pelo vitral vermelho
e pelo lustre sangue de cristal,
a fumaça de cigarro no ar.
Talvez eu esteja doente.
O diagnóstico do meu Médico
chegou bastante atrasado.
Agora eu sei que é tarde,
não há nada mais que fazer contra a morte,
é só vivê-la a cada dia
degustando o fel das companhias
uma por uma.
13/03/97

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