Vestia roupas comuns como as minhas.
E eu olhava ela como ela olhava eu.
Naquela linguagem sem palavras eu pedi
mas ela não se ligou.
Encontrei cegamente o seu corpo
surpreso por parecer inerte.
Tentei provocá-la em vão.
Não me contentei em beber o corpo
passivo entregue como objeto
inócuo ao calor meu.
Nossas almas partidas
projetam luz e sombra
sobre a outra parte
(um amigo me ensinou que quando eu pudesse pagar, pagaria:
são as duas molas que movem o mundo.)
Envolvi-a, mas não foi envolvida.
Suspeitei desde o início
que era uma questão de quem tem mais
cedendo a quem tem menos.
Não me siga pelos cantos
minhas mãos esquecerão rapidamente seu corpo -
minha boca não.
Não grite meus nomes pela rua,
não pergunte por mim.
Serei apenas seu provedor, usuário de seus favores.
(Já andava meio esquecido
de que em meu coração podia pousar o ciúme.)
Mito contra mito: estamos vivendo o princípio do caos
dentro de nós.
11/03/03

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