E o cheiro dessa lã azul que me envolve
me traz recordações.
O vento sopra frio de todas as direções
e na minha cara.
Esse vento traz lágrimas alheias,
e me faz chorar.
Essas lágrimas são de alguém
(que não eu),
para alguém (que não você).
Meus olhos reclamam lágrimas, pérolas e pedras.
E meus lábios, os seus.
Será que você vem?
Será que vai ser bom?
Sei que você está longe de mim,
e nunca esteve tão perto.
Posso sentir seu corpo, no entanto não lhe vejo.
E o vento gelado sopra minhas mãos,
tornando-as mais frias que de costume.
Elas buscam um Corpo. Lembra-se?
Meu corpo cobre-se do inverno azul e frio
enquanto por dentro dele,
circula o sangue vermelho e quente.
Não sou insensível e tampouco otimista.
A admiração leva ao desejo.
E a afeição, ao amor.
Não vou sair por aí pulando no pescoço
de qualquer pessoa que eu deseje.
Vou dedilhar, na ponta dos dedos,
você.
Meus dedos passeando, trazendo e levando
novas sensações.
Vou andar na ponta dos dedos pra não lhe acordar.
Meu amargo desejo ardente está ficando doce,
e deixando de ser ardente.
Toma uma nova forma light:
de doce querência infantil.
Um Menino no inverno
E muitas outras pessoas no inferno.
Me jogaram doze pedras, me assassinando.
Mas eu já estava morto antes da primeira.
20/04/96

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