terça-feira, 1 de dezembro de 2009

terça-feira, 17 de novembro de 2009

OS MISTÉRIOS DOS ENTENDIDOS


É incrível que os mesmos olhos que estão capacitados para ver,
Também estão, igualmente, capacitados a serem vistos.

O jogo do olhar é para quem tem visão;
Com os olhos nos olhos, dá-se as mãos,

E fala-se o que sente da outra pessoa.
Através dos olhos(paredes, espelhos, véus, lagos ou piscinas).

04/02/97

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

DIZ QUE DIZ


Pode tudo dizer que sim,
e até o que você diz, ser a Verdade;
se eu não ouvir da boca que eu quero,
que me quer, isso não me vale nada.

16/11/09

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

UNIDADE


Tenho medo de que você não enxergue conscientemente
as escolhas que o seu inconsciente faz.
É doloroso por demais cruzar o véu da consciência
e unificá-la racionalmente.
"Tudo pela sociedade", você age.
E eu, me preocupo comigo.
Mesmo que hoje seja o fato legal,
meu coração chora de tristeza e alegria;
por mim e por você.
Então espero,
com a experiência que o Tempo me deu;
a esperança infinda do viver agora.
Até o dia em que você,
de mãos dadas com as minhas,
conduzamo-nos para um lado ou outro
do véu rasgado.

13/11/09

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

ME VEJO EM SONHO


Que me vejam morrer
aqueles que eu amo, pois
aqueles que me amam
já me amam mesmo...
Não recebo teu amor
e não aceitas meu amor.
Preciso deixar-te ir
sem ao menos perguntar se um dia...
Conheço meus limites
e sei que nada é em vão.
Embora pouca coisa surta efeito,
uma liberdade que seja proibida,
uma libertinagem sendo reprimida...
11/06/98

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

FAZENDA


Eu tenho uma fazenda
lá no interior do Sudeste.
Cidade grande tá bem longe,
vê as luz do Horizonte.
O meu coração sertanejo
está guardado com um amigo
não vejo faz alguns anos.
Eu sinto enorme saudade
de quando era feliz e não sabia.
Mas não vou chorar
pois do que lembro é tudo bom.
Eu consegui sobreviver
até aqui.
Lhe quero perto demais, mais perto
perto aqui.
27/10/97

terça-feira, 6 de outubro de 2009

MORTE E VIDA


Mas a vida era tão boa...
Ou será que não me lembro bem?
Tantas lembranças que
Eu continuo morrendo.

Estou morto.

Vivo no purgatório;
Inda não achei saída
Deste vazio fogo que
Arde e queima minha carne.

Seus olhos me devoram.

O peixe morre pela boca (aberta).
O sapo explode com o cigarro (fechada).
Estrela do mar vomita e engole.
O homem maltrata o que come.

Você me mata sem seus beijos.
Eu morro em seus beijos.

Malditos os meus olhos que dizem e
Maldita seja minha boca sem freio,
Minha língua cega,
Meu sorriso falso.

Nada é fácil
Numa noite de verão.

Brinquei com fogo
E me queimei.
Eu sabia, mas não quis saber.
Subestimei a malícia
E errei:
O desconhecido me surpreendeu.
As reações são diferentes...
Eu deveria saber
E percebi, agora sei.

17/02/97

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

JOALHERIA


Leva-me ao fogo;
Apresenta-me a ele
refinado, e
tornar-me-ás parte de ti mesmo.

Toda a terra está contra mim,
minha água se revolta em mim.
A respiração falha,
a inspiração não vem.

Isolado no mundo apertado,
comprimido pelos corpos vagos
inconscientes da Vontade e
do Poder latente, inerente.

Teus olhos claros
brilham mais que tua alma.
Minha alma ilumina meus.
Jóias.

21/11/02

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

IMENSO VAZIO


Imenso espaço vazio aberto.

Nada me atrai (sem fome).
Nada entendo (preguiça).
Meu interesse me cega e não vejo nada mais.
Não há realidade.
Meus planos feitos sobre um terreno mais ou menos sólido
que Amor (pensava eu) me ofereceu,
joguei pro alto (foram jogados por quem ofereceu).
Peço perdão por uma coisa que não fiz:
evitar que Paixão invadisse (de novo) minha vida
e me amarrasse, me atormentasse.
Incandescente, não me largará até consumir
por total minha essência de vida.
Ela me deixa louco com suas cores e formas.
(Como ela foi ser tão perfeita?
... os olhos ... a pele ... os cabelos ...
Ou será que eu é que estou cego?)
Me deixa louco com seu jogo
(que sabe e se faz de inocente).
Sobe um frio da barriga ao coração,
que vai se alojar no imenso espaço
vazio (e frio) aberto
deste.

25/09/96

terça-feira, 29 de setembro de 2009


MOMENTOS
Nos quais digladiamos com nós mesmos: se somos volúveis, é a razão contra os sentimentos. E se somos práticos, a guerra é inversa.
O pior de tudo é que não há extremos, e assim não sabemos quem luta contra o quê!
No final, quando não sabemos quem ganhou, juntamos nossos cacos e reconstruímos nossas vidas a partir do nada que restou.

SEMPRE
Um homem tentando subir em cima do outro. Somos obrigados a usar máscaras e a esconder de nós mesmos nossos próprios sentimentos, só porque o homem quer ferir o homem.
Até quando, o humano vai tentar se extinguir?
Vou tentar colocar a minha máscara de lado. Quero tentar viver, não apenas sobreviver no mundo. Talvez assim, consigamos todos juntos sermos... felizes.

20/11/95

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

FOGOS


Bom dia, flor da vida!
De manhã,
antes do sol acordar,
ele já pintava nas nuvens
alguns tons.
Perto do sol vi o
laranja loiro capilar
e o róseo da sua pele
– ruivos.
E o acastanhado dos seus olhos
não foi imaginação minha.
Criaturas do sol:
Olhos (escuros) inocentes ruivos.
Olhos (claros) maliciosos ruivos.
Vejo o que não existe pelos olhos imortais.
É você.
E não há nada de valor maior
para lhe dar que meu coração:
Lhe amo.
Frase boba!
Meu coração já lhe pertence.
Você entrou nele
para não mais sair
do seu lugar conquistado.

Lhe desejo tudo de bom.
Hoje e sempre.

01/01/97

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

FORÇA SECA


Cidade que cresce e se torna grande
é rosa que aponta,
cresce,
desabrocha sobre uma enorme área no chão,
despetala,
seca,
e sobra cinza da vida, caos
regando terreno para nascer
outra vida,
depois da explosão da bomba.
A cidade grande se deteriora no progresso,
enquanto a pequena se atrasa
assistindo ao detrimento dos grandes centros urbanos
anti-humanos; ilhas.
Sou uma ilha.
Eu só queria mais alguém,
um Amigo.
Mais que só amigo,
mais que apenas estar juntos,
mais que conversar,
queria poder tocar um amigo;
acariciar um verdadeiro amigo
e não me sentir sozinho
jogado às teias e ao mofo
no fim do mundo.
Porque eu sou diferente dos diferentes
e não acho que estou errado.
Escuto a Solidão dizer
e também acho
que não sei amar;
Mas é demais
querer mais do que palavras?
Se apaixonar e se entregar
É arriscado
hoje em dia.
Mas só quero
sentimentos, emoções e sensações.
Uma pessoa,
uma alma humana,
que amo tanto,
que seja igual a mim:
verdadeira como o espelho,
delicada como o véu,
forte como a parede,
para sermos um.
Andar a cavalo
com uma rosa no cabelo,
voar no rio,
ir do lago ao mar
de um sentimento fantástico.
Mas sinto a máxima intensidade
do impossível, esse desejo.
Então, queria não amar,
não ser só,
e não morrer, na morte.
E depois de tanto me anular,
já não sou e me perdi.
Ninguém gosta de mim como sou:
Todos querem me mudar
cortando meus cabelos
e minha liberdade.
Me anulam
para satisfazerem-se.
(Ninguém presta
atenção em mim.)
Haveria alguém aí capaz
e corajoso o suficiente
para salvar este covarde?
Ninguém.
Presta atenção em mim!

26/01/97

terça-feira, 22 de setembro de 2009

FERIDA DE AMOR NÃO DÓI


Seu perfume me causa apatia,
Dá-me gastura roer suas unhas.
Sua alma de porco presa em um corpo gostoso.
Fico na lama desses sentimentos meus,
perdão, sensações,
que traem a vida ao mais vil desejo,
e trazem à tona os prazeres, que nem pagam os medos
de uma estranha aventura na avenida corrompida.
O que é emprestado com usura
sem as mínimas qualidade ou garantia,
isso não é amor.
Meus olhos precisam, meu coração não.
Meus olhos têm sede de água,
meu (não o seu)
coração é a fonte.

09/10/03

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

PARA VIVER


“– Quando você for fazer algo, você tem que gostar do que faz, e mais do que gostar, você tem que ter paixão, você tem que ter Tesão pelo que faz. Senão, não faça.”

“– Quando você for fazer algo, você não tem que fazer bem, você não tem que ser o melhor, você tem que ser o Único.”

Para viver, é preciso ter consciência da Morte.
Pois a vida acaba agora.
E que para ela ser válida,
tem que ser plena, cheia,
exagerada e sem mesquinharia ou frescura.
A moderação exagerada me mata,
mas o Exagero Moderado me torna maior, mais forte.
Me sinto vivo.
Eu sou livre.
Minha existência não terminará inacabada.

07/09/97

MIRANTE


Para estar sozinho
É preciso ser sozinho.
E num lugar inóspito
Ver o mar de luzes.
Com o vai e vem elétrico
Vento gelado cortante
Traz o cheiro salgado do mar.

A criança pergunta:
Mamãe, quando a gente morre, vai para onde?
Vamos para o céu, querida.
E ela olha para cima, céu estrelado,
Como se a cada alma transmigrada
Surgisse novo brilho no céu.
Um cometa caiu e instintivamente e
Ela pensou ter visto um bebê.
Em silêncio concluiu
Que a todo instante
Velhos morrem e bebês nascem,
Como sempre era noite nalgum lugar.
Só não entendia ainda como ascender ao céu...

07/11/03

TREVO DE QUATRO FOLHAS


Só por hoje
vou lembrar-me do amor que lhe votei
e da intensidade que havia,
pois vamos sempre estar juntos
enquanto nos lembrarmos do que foi
a magia de se completar um ao outro,
e que por nossas opções ela ficou à parte,
pra depois.
Sei que o erro
não pertence a você e nem a mim:
da nossa parte, o que pecamos, foi o medo
de me entregar, eu, a você, por ti.
A diferença era meu corpo e seu coração,
porque o resto era igual, o complemento, a ajustagem.
Tive o que queria, em medida que faltava:
ALMA.
Agora observo a mais bela pintura:
um céu azul tão claro quanto as gotas que caem
nos vidros da janela.

28/03/01

sexta-feira, 17 de julho de 2009

COM O TEMPO


Eu cresci.
Agora sei o que quero e sou.
Lembro-me de quando eu era
desengonçado e instável.
Hoje vejo você e entendo.
Se você caminhar num ritmo ameno,
sua mente clareará.
Seu coração ficará tranquilo.
Respire sem pressa ou tensão.
Vou deixar
as portas e janelas abertas
como tenho feito.
E caso você queira equilíbrio,
pode se apoiar.
Me ofereço
por inteiro,
verdadeiro,
pra tudo.
Sempre.
17/07/09

terça-feira, 7 de julho de 2009

ESPADA


Todos são diferentes.

Quando eles são verdadeiros,
o são realmente.
Quando eles são falsos,
o são de verdade.
Mas quando elas são verdadeiras,
são falsas,
e quando são falsas,
são realmente verdadeiras.

Todas são iguais.

Não se pode confiar.
Fidelidade, quem a achará?
Por que a Verdade se esconde
entre a Mentira?
Por que ela se protege lá?
Por que o Amor
está de mãos dadas
com a dor e o ódio?
14/11/95

ENTREGA


A morte é
uma passagem
para outra vida.
Morte antes,
durante e depois:
corpo alma espírito.
Cuidado, o poeta
está morrendo.
Não só agora, e
também depois,
atentem para suas palavras.
Sofrimento, dor,
ilusão, amor.
Respiração:
roubo de ar
e suspiro.
Só agora
tenho uma visão geral
de todos que estão aqui.

O anjo vem com
o óbito atestado:
parada cardíaca.
TerNuraETerna diz
“Ele morreu porque
a alegria,
o amor,
o carinho,
os afagos,
o calor humano,
e os amigos
foram seqüestrados
da sua vida.”
Só que o demônio foi
o mais incisivo, com
meias verdades e meias palavras:
“Foi um espírito
de passividade
intelectual e emocional
que se apossou dele:
tudo estava lá
e ele não conseguia
alcançar.”
Tenho que admitir
que ninguém está errado.
O poeta morreu de
tudo isso,
numa clara manhã,
em cima da cama.
O ser noturno
que não se adaptou.
E que por isso
TerNura ainda
ouve sua voz
no íntimo de seu
coração, depois do
momento Ah!
A morte deixou
sua profunda cicatriz
no rosto da
lembrança.
A virgem entoa
um calipso inusitado
o tempo todo
até o fim da morte.
12/03/96

EXCELÊNCIA MORTAL


“Quero um túmulo bem bonito”,
você pode desejar,
mas é só um buraco fundo
igual ao de mingúem.
Vi um túmulo de pedras,
branco à beira do caminho
(conheço um velho longo em dias),
molhadas pedras pela névoa
da manhã que o sol não dissipou.
Ainda a morte
está em tudo na vida:
No sorriso amigo,
no falso falar.
Distintas tantas cores
quando o sol aponta ou desponta:
A vida é a morte,
e a morte é a vida.
As nuvens esparsas
me lembram defuntos
ao matinal repouso.
O movimento no céu
é o mesmo na terra.
Nuvens na terra: restos mortais
no céu cemitério.
E o deus astro desfila
distribuindo vida à terra.
Não, não tenho vida
(estou no céu);
Sinto o Amor danado,
santo, impuro e purificado,
retificado, ratificado
menino e maduro.
É duro, é difícil sentir.
Sinto, e sinto muito
mas diferente:
Quero paz e comunhão,
nesta ordem; e descanso.
Sou antiquado, duro, indomável,
não me entrego;
e romântico fácil.
Paz,
só quando comungar com a Morte.
O quente calor da terra e do Amor.
A Morte me quer por companhia.
Aonde vou, tenho notícias de mortos.
“É coisa da vida”, posso pensar,
mas ela não disfarça sua atração,
enquanto eu sim.
Porque não é só atração, é Amor, suave.
Quero um túmulo bonito
se possível,
mas quero um que seja simples
como fui, sou e serei.
16/12/96

... E SOL E LUA ...


Como do relógio o tic e tac,
Da ampulheta a areia,
E da vela a parafina,
A vida geme, esvai e evapora.

Qual o valor de um segundo?
Um dia, um mês, um ano?
Uma vida?

O carmesim que fez sinistro o dia,
Brotou morte da vida.
Maior que qualquer outra magia,
Sol a pino fez-se meia noite.

A um só tempo a natureza gemeu,
E geme angustiada
Esperando pela eternidade.
13/07/96

ESPELHO COMPLEXO IRRACIONAL


O espelho não é nada. É vazio, caos. Reflete a realidade, a verdade, o nada, o vazio e o caos. Solidão do mar de vidro e prata – barreira. É sincero – sou vazio e vejo isso nele – amigo. Se o homem fosse amigo, não teria inventado o espelho. É desconfiança, medo, egolatria. O limite entre o “certo” e o “invertido”. É alucinação coletiva. O nada refletindo o tudo. A verdade, a mentira. O claro, o escuro. O vazio, o cheio. O irreal, o real.
27/03/96

DOR


A Alma sente o amor.
Amor Incomportado.
Impossível.
Alma sente o desejo
de sentir o Amor dentro de si.
O Amor não se importa
com a Alma.
Muitas coisas os separam.
A Alma solitária
vê sua solidão,
vê a Solidão;
a Alma chora,
ou tenta chorar.
Não pode, pois não
lhe é permitido.
Ela tem que ser forte.
Está e é infeliz.
Criança infeliz,
a esperar em vão,
a mão quente, que
irá tirá-la, libertá-la do frio,
íntimo e constante
da Alma.
Alma musa, meiga,
inatingível aparentemente;
Esperando um mimo
qualquer que seja.
Só, Alma, só.
Sonha, louca,
com a companhia,
quando a companhia
não vem,
não existe.
Está beirando
seu limite,
não tendo limite,
não sabendo até
onde pode ir.
Sente dor,
querendo isso.
Cada vez mais, dor.
Ela está anestesiada.
Insensível e cauterizada.
Beira o abismo,
o Vale da Sombra
da Morte.
Buscando o Amor
onde sabe que ele não está.
Querendo-o achar.
Dependente dele,
d'outros.
Precisa de alguém,
repele a todos,
ama o amor.
Busca a Morte.
Suicídio.
12/04/96

PUREZA DO CORAÇÃO


+ Harmonia Harmônica
- Harmonia Desarmônica
+ Desarmonia Harmônica
- Desarmonia Desarmônica

A Pureza do Coração:

o afeto mais profundo;
o sentimento verdadeiro;
a emoção mais intensa.
que ele não seja egoísta,
que seja sincero,
que ele seja fiel,
e que para ser completo,
que ele possa superar o Tempo.
01/09/97

EMBALSAMADO


Uma segunda chance;
Duas segundas chances;
Três segundas chances.
Sempre preciso de mais, pois que
as tragédias são constantes.
E minha língua se apega
ao céu da boca,
seca e mumificada de tanto sal
e da inveja que me morde todo
o interior da boca, a mucosa.
Fui dissecar com os olhos
e ao invés, fui dessa pra pior.
Não balanço mais ao sabor dos ventos:
minhas raízes são por demais amargas e profundas.
E os ciganos estão indo embora
levando minhas mulheres e meus filhos
em pagamento da dívida que
resolvi assumir em lugar d’outrem.
Sou apenado por minha bondade
(como motivo exposto e aparente
quando o que é causa e razão
dos carrascos e algozes internos
é a maldade que ninguém vê,
a tristeza que aloja-se na suíte
dos sonhos e coração: inveja)
e não abro a boca, covarde,
como insinuação de coragem.
Não sou engraçado, não uso óculo,
não tenho ou mereço a Resposta.
Dissecado, com sal e raízes maléficas
amargas, sozinho, de novo.
21/11/03

ENCENAÇÃO


Recuperei a fé e
até que poderia viver sozinho.
Mas o que eu faria com a liberdade?
Senti-me mal
e pus meu coração em suas mãos.
Você apertou com medo de que ele escorregasse:
eu senti, você parece que não,
pois o entregou na mão
do meu amigo trajado de inimigo.
Ovelha disfarçada de lobo
pra mim, é lobo.
Que põe meu coração no peito e bate
longe de mim, perto de mim.
Fiz a minha parte, tudo que me cabia, e algo mais.
Só que algumas coisas não compensam
(o seu amor medroso, por exemplo)...
Você joga fora o amor que lhe dei.
Já sofri demais,
agora quero curtir o quanto sou precoce,
a criança madura dentro de todos nós.
O sobrenatural desceu ao natural.
Decorei números de placas
e elas mudaram:
de número, de caminho – não os vejo mais.
Tudo que cresce muda com as crises.
A bala que você gosta, comprei pensando em mim.
Vou dar uma dúzia de rosas (vermelhas) a mim por nós.
Nossas alianças de compromisso, vou usar as duas.
Pensei que houvesse mais
pela altura que a balança
me jogou no desequilíbrio.
Caí em pleno aberto
o mar me envolveu.
08/04/98

DIFÍCILS


Mudanças, variações.
O tempo escorre lentamente
para uma ampulheta,
sendo pingado por um conta-gotas;
Gigantes para pouca areia,
ou para pouca água.
E eu fico suspenso
nesse pouco tempo:
estranho, estrangeiro.

O povo está em crise:
prenúncio de revolução.
Tem-se a impressão
de que o tempo voa
com grandes asas.
A cúpula
não tem relógio.
Tenho a impressão
de que o tempo não passa.
Não tenho relógio.
São prenúncios de
mudanças de hábitos.
Trocar de vida pode doer,
ferir, sangrar.
Largar as muletas,
os sistemas de sobrevivência,
pode incomodar,
até atrapalhar.
Porque não estamos acostumados
com a nova rotina.
Mesmo que a velha seja nociva,
reclamamos.
Largar a solidão e o
silêncio de lado
é difícil.
Abraçar o amigo e o
diálogo parece ser ainda mais.
Eu sei ouvir,
compreender e
aconselhar, até.
Mas falar de mim...
(com um desconhecido é melhor.)

Viagem, viajem.
Vai, luz, e me leva.
Me tira desta arena
onde se digladiam
o touro e o toureiro:
O primeiro é o instinto,
masculino.
O segundo é a sensualidade,
feminina.
Ela o domina e faz
dele o que quer,
dentro da arena.
Vem,
e me leva pro vale;
Mesmo que eu não saiba
o que lá me espera.
Lá as coisas
começarão a mudar.
Já me libertei do
relógio opressor.

Mudanças, maturidade.
Os olhos são infantis
e vêem a beleza.
Passar dela pro desejo,
é um pulo.
Queria arrancá-los
e não mais ver;
Só com o coração sentir:
o amor não precisa dos olhos.
O desejo deles derruba
o amor quase todo.
A infantilidade minha
joga a maturidade por terra.
Vou lutar contra os olhos
para poder viver com eles.
Quero ver e sentir o que é belo.
23/02/96

quinta-feira, 2 de julho de 2009

DESERTOR


Estou no meio da loucura
e da inocência.
Loucura de querer alguém,
inocência de não conhecer ninguém.
Loucura de querer ser,
inocência de não saber ser.
Loucura de tentar viver,
inocência de não saber viver.
Estou pulando do barco,
esse balanço me enjoa.
Não me joguem salva-vidas,
vou aprender a nadar.
Sei que é possível morrer
de sede navegando
num mar de água doce.
Mas vou provar da água.
Vou chutar o balde;
Só balançar não basta.
Não adianta tentar me manter
no bom Caminho:
Todos temos o mal por dentro,
é só deixar crescer.
O bom, ao contrário,
só pode ser aprendido.
Sei de um e quero
conhecer o outro
lado da moeda.
Sair do meu minúsculo castelo
e ampliar meu mundo.

Na cidade grande, um som
como de um povo pentecostal
se faz ouvir nas ruas.
Mas são os vendedores
e camelôs gritando
nas esquinas cheias,
tentando ganhar mais que pão.
É...
Somos todos muito iguais,
unidos ou não,
de qualquer forma.
Homens e poetas.
Alma de poeta.
A Alma gosta de sofrer,
de sentir dor, de amar
e se sentir sozinha.
Uma poeta que encontrei
não se lia.
E eu, lendo-a,
mexeu-me algo
no meu interior.
Ela não era um espelho;
Poderia ser a água
de um rio.
Rio que vai pro lago
tranqüilo do castelo.
O furacão que vem
do deserto vai agitar
os ânimos.
Provocar uma tempestade
de brigas.
11/04/96

quinta-feira, 25 de junho de 2009

DE-Z-OITO


O espelho reflete a mesma imagem
Que de dez anos atrás:
Inocência e fraqueza,
Alienado e feio.

Quebro o espelho
E rasgo meu véu:
Me alieno da realidade,
Esquizofrênico (fico).

E choro sozinho
No meu escuro pequeno
Dentro de mim.

Nesse frio verão
A luz brilha escura
Pro cego aqui.
29/10/96

quarta-feira, 24 de junho de 2009

DESCANSAR


Hoje chuviscou de manhã.
Meus sonhos me perturbavam ainda.
Não tenho pesadelos,
não quero mais chorar.
O céu cinza
não me mostrou a lua minguante.
Levantei com o coração esquerdo;
meus olhos querem descansar,
ver, mas descansar.
Não vejo a beleza do céu,
ele sempre está lá.
Não me preocupo com as nuvens,
elas lavam meu corpo
e envolvem meus olhos.
Me sinto como sempre: vazio
e cansado.
Amanhã é Dia do Descanso.
Mas dia santo é dia de trabalho.
Uns diferentes dos outros,
mas tudo é enfado e carga.
Me sinto um grão no espaço,
não sei o que é piada,
não conheço a Graça.
Tudo isso eu já vivi,
de vez em quando eu me lembro
daquilo que não foi perdido.
Meu sentimento é fofo
e se encolhe sozinho
trombando nas paredes do meu quarto.
Desajeitado como elefante,
grande como rato.
Olhos inocentes como pombas,
perspicazes como águia.
Eu vôo, eu rastejo.
Deixo o tempo passar por mim (como flash)
tirando o que não presta,
aparando as arestas,
trazendo sedimentos.
Nada é certo.
Tudo é exato.
Com licença, tenho que pensar,
sentir.
E falar com minha alma.
Não há como concluir,
apenas resolver.
Agora.
28/02/97

terça-feira, 23 de junho de 2009

DEMONIZAÇÃO


Queria poder dizer de uma forma descomplicada
tudo que sinto por mim e por ti; pelo mundo.
Mas minha cabeça muda tanto e tão rápido
que o que era, agora já não é.
E me dizes que tenho o demônio no corpo!
Eu não sabia que era isso – se é que se pode definir algo que não conhece apenas pela manifestação do exterior.
Rebolei e não fiz por mal
mas a tua tatuagem e as marcas no teu corpo me excitam,
tanto quanto tua voz e o teu ritmo: você é um dos meus ares.
Demonizei meus olhos com minha própria escuridão
(não preciso de ajuda externa para isso).
Teu corpo não precisa ser o perfeito para eu desejar,
é apenas o que falta, o que gozo em ti.
Respeito teu templo, e tenho as chaves para abrir o meu.
Não somos escravos do desejo próprio ou alheio.
Me sinto nu; de olhos fechados ou com os ouvidos tampados,
por isso te contemplo a alma em todos os corpos.
Desafio-te a provar, pois traição não existe:
Se ficas comigo, estás comigo;
Se ficas com outro, estás também comigo.
Meu amor não tem posse ou liberalidade,
é naturalmente livre e desimpedido.
Mas não dê ouvidos ao teu coração.
Atenta para todo o teu ser: não te partas, não te dividas, não te fraciones.
Tem uma vontade e sê fiel a ela somente
Anjos e demônios não podem decidir por ti.
07/03/03

segunda-feira, 22 de junho de 2009

DA FONTE


Não bebo dessa fonte.
A água escura dos seus olhos
não mata a minha sede
barrenta de água podre.
Então embora beba
sua água azul,
pode não ser tão belo
o corte do azulejo,
a ilusão de que é puro, limpo,
inocente, e santo.
Como via os cinza olhos de gato desmamado,
que sem a proteção do sol
se renderam, se entregaram,
talvez de medo mas apenas
era tempo de olhar, sugerir
sugestionar e influenciar
para que algum dia
seu coração amadurecesse
ao fel maquiavélico
para ser um com os olhos.
Como fui e não fui engolido,
tragado pela sede de saber
e morto pela sede de fazer,
não tive seu corpo a serviço de meus olhos.
Dessa fonte não bebo:
vejo verde o lodo
que se acumula
na torpeza do seu ser,
que quanto mais perto chega
mais longe quero estar.
Nem adianta me mostrar os caninos
que meu sangue não é pra você.
Prefiro mel de açúcar de beterraba sintética.
Posso até me lambuzar de bombom
(doce agora e amargo sem escovar os dentes)
pois meu sangue ralo precisa de reforço.
São todos permanentes
(amigos do trocador e do motorista);
eu, passo.

Só queria que você olhasse para trás
e banisse o vazio que está dentro de mim.
Pena que você não veja
que eu sou, dentro de você
e a tristeza é você em mim.
Entulhe essa fonte.
Eu queria dizer,
mas não consigo falar.
16/06/98

CRIAÇÃO


O absurdo da criação:
A criatura parecer
com o criador -
Um egocentrismo caro:
matando-a,
mata-se ao
deus que a criou.
Ela não pode viver
no mundo dele
e nem o contrário.
Não sabem, contudo,
que sua dor é a mesma;
Que estão ligados
pelo amor da criação
e pela dor
da frustração:
Cada qual no seu
canto chorando
a ausência do outro,
e exigindo direitos
que não foram eleitos.
Quando a vida foi
criada, a morte
também veio -
uma vida, várias mortes.
A dor é a mesma
que une as duas pessoas
feitas separadas.
Belo e Caricatura.
São iguais,
necessidades iguais,
dores iguais,
ódios e amores iguais.
Criador e Criatura.
É a mesma coisa.
O mesmo frio fim
para os dois,
da agitada vida
(Ela se rendendo
e ele se doando),
para acabar
com os sofrimentos
que os eternos
iam penando.
Um último grito
da criatura -
ele se calou,
não tinha e
renegou o direito.
Fez o que
achava que era certo.
Encerrou a vida
sob a morte.
Pelos séculos dos séculos
o segredo permanecerá
debaixo das ondas
do mar.
14/03/96

COMPRAR FEITO


O que foi feito de minha vida?
O que fizemos com as nossas?
O que você pensou?
O que você fez?
O Tempo simplesmente aconteceu!
Você estava preparado?

Como é bom voltar ao trabalho
na rotina normal, sem feriado.
O caos no interior de um leprosódromo
é inimaginável.

Há algumas noites
você me viu.
Falei dos meus olhos?
Bom seria que sem falar...
Eu não precisasse fazer,
só comprar feito.
16/06/98

quarta-feira, 17 de junho de 2009

CÁLIX MOXTARDA


Minhas mãos são Frias.
Frias buscam um Corpo.
Corpo para aquecê-Las.
Frias para tocar.
Corpo para sentir e ser sentido,
dar e receber... algo.
Não apenas um Corpo
sem vida, morto;
mas Você.
Corpo não apenas para sentir.
Você para amar.

Desejo, cale-se:
você quer qualquer corpo.
Afeição é quem sabe o que faz,
mas não consigo dominá-Lo.
Ele tem olhos para todos,
só não sabe que não é assim
tão fácil.
Ela se resguarda
e faz muito bem:
muitos são vistos,
poucos têm coragem
(entre os quais sou um).

Venha.
Sempre estive sozinho
e agora sei
que preciso de alguém:
presença, confraternização,
compartilhar, participação com,
intimidade, amizade,
camaradagem – comunhão.
Larga os “pode” e “não pode”
e aqueça as Frias;
me faça um carinho.
Com sua e seu:
presença presente.
25/12/95