quarta-feira, 24 de junho de 2009

DESCANSAR


Hoje chuviscou de manhã.
Meus sonhos me perturbavam ainda.
Não tenho pesadelos,
não quero mais chorar.
O céu cinza
não me mostrou a lua minguante.
Levantei com o coração esquerdo;
meus olhos querem descansar,
ver, mas descansar.
Não vejo a beleza do céu,
ele sempre está lá.
Não me preocupo com as nuvens,
elas lavam meu corpo
e envolvem meus olhos.
Me sinto como sempre: vazio
e cansado.
Amanhã é Dia do Descanso.
Mas dia santo é dia de trabalho.
Uns diferentes dos outros,
mas tudo é enfado e carga.
Me sinto um grão no espaço,
não sei o que é piada,
não conheço a Graça.
Tudo isso eu já vivi,
de vez em quando eu me lembro
daquilo que não foi perdido.
Meu sentimento é fofo
e se encolhe sozinho
trombando nas paredes do meu quarto.
Desajeitado como elefante,
grande como rato.
Olhos inocentes como pombas,
perspicazes como águia.
Eu vôo, eu rastejo.
Deixo o tempo passar por mim (como flash)
tirando o que não presta,
aparando as arestas,
trazendo sedimentos.
Nada é certo.
Tudo é exato.
Com licença, tenho que pensar,
sentir.
E falar com minha alma.
Não há como concluir,
apenas resolver.
Agora.
28/02/97

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