Eu cresci.Agora sei o que quero e sou.Lembro-me de quando eu eradesengonçado e instável.Hoje vejo você e entendo.Se você caminhar num ritmo ameno,sua mente clareará.Seu coração ficará tranquilo.Respire sem pressa ou tensão.Vou deixaras portas e janelas abertascomo tenho feito.E caso você queira equilíbrio,pode se apoiar.Me ofereçopor inteiro,verdadeiro,pra tudo.Sempre.17/07/09
Todos são diferentes.Quando eles são verdadeiros,o são realmente.Quando eles são falsos,o são de verdade.Mas quando elas são verdadeiras,são falsas,e quando são falsas,são realmente verdadeiras.Todas são iguais.Não se pode confiar.Fidelidade, quem a achará?Por que a Verdade se escondeentre a Mentira?Por que ela se protege lá?Por que o Amorestá de mãos dadascom a dor e o ódio?14/11/95
A morte éuma passagempara outra vida.Morte antes,durante e depois:corpo alma espírito.Cuidado, o poetaestá morrendo.Não só agora, etambém depois,atentem para suas palavras.Sofrimento, dor,ilusão, amor.Respiração:roubo de are suspiro.Só agoratenho uma visão geralde todos que estão aqui.O anjo vem como óbito atestado:parada cardíaca.TerNuraETerna diz“Ele morreu porquea alegria,o amor,o carinho,os afagos,o calor humano,e os amigosforam seqüestradosda sua vida.”Só que o demônio foio mais incisivo, commeias verdades e meias palavras:“Foi um espíritode passividadeintelectual e emocionalque se apossou dele:tudo estava láe ele não conseguiaalcançar.”Tenho que admitirque ninguém está errado.O poeta morreu detudo isso,numa clara manhã,em cima da cama.O ser noturnoque não se adaptou.E que por issoTerNura aindaouve sua vozno íntimo de seucoração, depois domomento Ah!A morte deixousua profunda cicatrizno rosto dalembrança.A virgem entoaum calipso inusitadoo tempo todoaté o fim da morte.12/03/96
“Quero um túmulo bem bonito”,você pode desejar,mas é só um buraco fundoigual ao de mingúem.Vi um túmulo de pedras,branco à beira do caminho(conheço um velho longo em dias),molhadas pedras pela névoada manhã que o sol não dissipou.Ainda a morteestá em tudo na vida:No sorriso amigo,no falso falar.Distintas tantas coresquando o sol aponta ou desponta:A vida é a morte,e a morte é a vida.As nuvens esparsasme lembram defuntosao matinal repouso.O movimento no céué o mesmo na terra.Nuvens na terra: restos mortaisno céu cemitério.E o deus astro desfiladistribuindo vida à terra.Não, não tenho vida(estou no céu);Sinto o Amor danado,santo, impuro e purificado,retificado, ratificadomenino e maduro.É duro, é difícil sentir.Sinto, e sinto muitomas diferente:Quero paz e comunhão,nesta ordem; e descanso.Sou antiquado, duro, indomável,não me entrego;e romântico fácil.Paz,só quando comungar com a Morte.O quente calor da terra e do Amor.A Morte me quer por companhia.Aonde vou, tenho notícias de mortos.“É coisa da vida”, posso pensar,mas ela não disfarça sua atração,enquanto eu sim.Porque não é só atração, é Amor, suave.Quero um túmulo bonitose possível,mas quero um que seja simplescomo fui, sou e serei.16/12/96
Como do relógio o tic e tac,Da ampulheta a areia,E da vela a parafina,A vida geme, esvai e evapora.Qual o valor de um segundo?Um dia, um mês, um ano?Uma vida?O carmesim que fez sinistro o dia,Brotou morte da vida.Maior que qualquer outra magia,Sol a pino fez-se meia noite.A um só tempo a natureza gemeu,E geme angustiadaEsperando pela eternidade.13/07/96
O espelho não é nada. É vazio, caos. Reflete a realidade, a verdade, o nada, o vazio e o caos. Solidão do mar de vidro e prata – barreira. É sincero – sou vazio e vejo isso nele – amigo. Se o homem fosse amigo, não teria inventado o espelho. É desconfiança, medo, egolatria. O limite entre o “certo” e o “invertido”. É alucinação coletiva. O nada refletindo o tudo. A verdade, a mentira. O claro, o escuro. O vazio, o cheio. O irreal, o real.27/03/96
A Alma sente o amor.Amor Incomportado.Impossível.Alma sente o desejode sentir o Amor dentro de si.O Amor não se importacom a Alma.Muitas coisas os separam.A Alma solitáriavê sua solidão,vê a Solidão;a Alma chora,ou tenta chorar.Não pode, pois nãolhe é permitido.Ela tem que ser forte.Está e é infeliz.Criança infeliz,a esperar em vão,a mão quente, queirá tirá-la, libertá-la do frio,íntimo e constanteda Alma.Alma musa, meiga,inatingível aparentemente;Esperando um mimoqualquer que seja.Só, Alma, só.Sonha, louca,com a companhia,quando a companhianão vem,não existe.Está beirandoseu limite,não tendo limite,não sabendo atéonde pode ir.Sente dor,querendo isso.Cada vez mais, dor.Ela está anestesiada.Insensível e cauterizada.Beira o abismo,o Vale da Sombrada Morte.Buscando o Amoronde sabe que ele não está.Querendo-o achar.Dependente dele,d'outros.Precisa de alguém,repele a todos,ama o amor.Busca a Morte.Suicídio.12/04/96
+ Harmonia Harmônica- Harmonia Desarmônica+ Desarmonia Harmônica- Desarmonia DesarmônicaA Pureza do Coração:o afeto mais profundo;o sentimento verdadeiro;a emoção mais intensa.que ele não seja egoísta,que seja sincero,que ele seja fiel,e que para ser completo,que ele possa superar o Tempo.01/09/97
Uma segunda chance;Duas segundas chances;Três segundas chances.Sempre preciso de mais, pois queas tragédias são constantes.E minha língua se apegaao céu da boca,seca e mumificada de tanto sale da inveja que me morde todoo interior da boca, a mucosa.Fui dissecar com os olhose ao invés, fui dessa pra pior.Não balanço mais ao sabor dos ventos:minhas raízes são por demais amargas e profundas.E os ciganos estão indo emboralevando minhas mulheres e meus filhosem pagamento da dívida queresolvi assumir em lugar d’outrem.Sou apenado por minha bondade(como motivo exposto e aparentequando o que é causa e razãodos carrascos e algozes internosé a maldade que ninguém vê,a tristeza que aloja-se na suítedos sonhos e coração: inveja)e não abro a boca, covarde,como insinuação de coragem.Não sou engraçado, não uso óculo,não tenho ou mereço a Resposta.Dissecado, com sal e raízes maléficasamargas, sozinho, de novo.21/11/03
Recuperei a fé eaté que poderia viver sozinho.Mas o que eu faria com a liberdade?Senti-me male pus meu coração em suas mãos.Você apertou com medo de que ele escorregasse:eu senti, você parece que não,pois o entregou na mãodo meu amigo trajado de inimigo.Ovelha disfarçada de lobopra mim, é lobo.Que põe meu coração no peito e batelonge de mim, perto de mim.Fiz a minha parte, tudo que me cabia, e algo mais.Só que algumas coisas não compensam(o seu amor medroso, por exemplo)...Você joga fora o amor que lhe dei.Já sofri demais,agora quero curtir o quanto sou precoce,a criança madura dentro de todos nós.O sobrenatural desceu ao natural.Decorei números de placase elas mudaram:de número, de caminho – não os vejo mais.Tudo que cresce muda com as crises.A bala que você gosta, comprei pensando em mim.Vou dar uma dúzia de rosas (vermelhas) a mim por nós.Nossas alianças de compromisso, vou usar as duas.Pensei que houvesse maispela altura que a balançame jogou no desequilíbrio.Caí em pleno abertoo mar me envolveu.08/04/98
Mudanças, variações.O tempo escorre lentamentepara uma ampulheta,sendo pingado por um conta-gotas;Gigantes para pouca areia,ou para pouca água.E eu fico suspensonesse pouco tempo:estranho, estrangeiro.O povo está em crise:prenúncio de revolução.Tem-se a impressãode que o tempo voacom grandes asas.A cúpulanão tem relógio.Tenho a impressãode que o tempo não passa.Não tenho relógio.São prenúncios demudanças de hábitos.Trocar de vida pode doer,ferir, sangrar.Largar as muletas,os sistemas de sobrevivência,pode incomodar,até atrapalhar.Porque não estamos acostumadoscom a nova rotina.Mesmo que a velha seja nociva,reclamamos.Largar a solidão e osilêncio de ladoé difícil.Abraçar o amigo e odiálogo parece ser ainda mais.Eu sei ouvir,compreender eaconselhar, até.Mas falar de mim...(com um desconhecido é melhor.)Viagem, viajem.Vai, luz, e me leva.Me tira desta arenaonde se digladiamo touro e o toureiro:O primeiro é o instinto,masculino.O segundo é a sensualidade,feminina.Ela o domina e fazdele o que quer,dentro da arena.Vem,e me leva pro vale;Mesmo que eu não saibao que lá me espera.Lá as coisascomeçarão a mudar.Já me libertei dorelógio opressor.Mudanças, maturidade.Os olhos são infantise vêem a beleza.Passar dela pro desejo,é um pulo.Queria arrancá-lose não mais ver;Só com o coração sentir:o amor não precisa dos olhos.O desejo deles derrubao amor quase todo.A infantilidade minhajoga a maturidade por terra.Vou lutar contra os olhospara poder viver com eles.Quero ver e sentir o que é belo.23/02/96
Estou no meio da loucurae da inocência.Loucura de querer alguém,inocência de não conhecer ninguém.Loucura de querer ser,inocência de não saber ser.Loucura de tentar viver,inocência de não saber viver.Estou pulando do barco,esse balanço me enjoa.Não me joguem salva-vidas,vou aprender a nadar.Sei que é possível morrerde sede navegandonum mar de água doce.Mas vou provar da água.Vou chutar o balde;Só balançar não basta.Não adianta tentar me manterno bom Caminho:Todos temos o mal por dentro,é só deixar crescer.O bom, ao contrário,só pode ser aprendido.Sei de um e queroconhecer o outrolado da moeda.Sair do meu minúsculo casteloe ampliar meu mundo.Na cidade grande, um somcomo de um povo pentecostalse faz ouvir nas ruas.Mas são os vendedorese camelôs gritandonas esquinas cheias,tentando ganhar mais que pão.É...Somos todos muito iguais,unidos ou não,de qualquer forma.Homens e poetas.Alma de poeta.A Alma gosta de sofrer,de sentir dor, de amare se sentir sozinha.Uma poeta que encontreinão se lia.E eu, lendo-a,mexeu-me algono meu interior.Ela não era um espelho;Poderia ser a águade um rio.Rio que vai pro lagotranqüilo do castelo.O furacão que vemdo deserto vai agitaros ânimos.Provocar uma tempestadede brigas.11/04/96