Das memórias, vou cortar você;Cortar meus pelos e cabelos que você gostae os que você não gosta,porque todos carregam em si a lembrançade você.Rasparei a cabeçaas sombrancelhasos ciliosaxilasvirilhae o que mais for precisopra cortar você de mim.29/05/09
Evitando que tu me ferisses, me machucaste.E a dor causada pelo mesmo,parece doer mais que o ferimento que evitaras.Pior que a dor de esquecer,é a dor de não ter nada de que esquecer.A dor da imaginação presente é piordo que a dor da realidade ausente.O nada vira tudo, porquea tua ausência pode não ser eternae a tua presença pode não ser efêmera.Não foste a primeira,mas sim, a marcante e inesquecível.A esperada tardia, e, oxalá,a que não se deixará esperando...para sempre.Você. (Juntos)04/04/95
Morro morto, adormecido vulcão.Tempestuosa chuva, sereno lago.A boca não tem sexoquando devidamente barbeadaou sem batom.Como a natureza,como nós.O lado de cásempre fingindo.O lado de láfingindo mais.Eu sou a verdadee tenho que me esconder.Morro mudono lago a covada comida de piranhas.Te mostro espinhos,não as rosasdo amor estérilem minhas entranhas.Tenho saudade de tie me lembro de tudoe tua presença distanteme consola, é real.06/01/97
O amor é a dorque não dói ao doer,que mesmo doendo não se sentee sentindo não se sabe que se sente.Dor, de amor.Prazer, de amor.Ódio, de amor.Amor, ... ao amor.Nos finais e princípios de todo cotovelosempre tem um amor, uma dor.No ódio, o prazer e a dor... do, Amor!07/02/95
O homem do IML.Um cadáver ouve rádio.O rádio sem sintonia.Soluço à caça de casa.Asas para a saudade.Lembranças com sal e pimenta.Ninguém descobre o corpo que se cobriu sozinho.Palavras me fogem,e fujo delas.Errei ao não confiar em ninguém?– O amigo do meu amigo é meu amigo, eo inimigo do meu inimigo é meu inimigo; ou– O amigo do meu amigo é meu inimigo, eo inimigo do meu inimigo é meu amigo; ou– O amigo do meu inimigo é meu amigo, eo inimigo do meu amigo é meu inimigo; ou– O amigo do meu inimigo é meu inimigo, eo inimigo do meu amigo é meu amigo???O problema é que tudo está certo.Mortos não reagem. – É fácil assim.Não jogo pra perder –mesmo sem regras –estou ganhando sem jogar.O tempo é meu melhor aliado.Esperar que venha ao meu encontrosó porque lhe dirigi a palavra.Não é nada demais falar de desquite, divórcio:minha liberdade e nosso encontro.Mas você me mataenquanto componho minha obracá entre nós, nada convencional.Dormir de roupa pesada.Declaração de amor escrita.Negar propina ideal.Meu amor,não fira com agressãoao jogar para o alto a moedae não deixe que o rancor fique por cima.O amor é mais polidoo afeto mais abaulado é.Não fale mal pelas costas,que atravessei seu corpoe capturei a alma pelos olhos.Belos olhosolhai por nós.14/04/98
Estes são os nossos dias...Os dias quentesque fazem pressão sobre minha cabeça.Tudo parece distante,apertado, confuso, emergente, vital.O sol exuberante;A lua clara;Estrelas eternas.Tudo ganha vida.Tudo vira esperançaquando chega o novo velho.Desta vez, prometi a mim mesmonão fazer promessa;Apenas deixar o rio correr.Então senti o cheiro da chuvaao escutar meu coração:“Ouça o que dizem as nuvens.”Os trovões, os relâmpagos e os ventos;todos têm seu preço.Estou pagando muitos impostos.Não esconda o curinga na manga.Você pode mudar repentina e eternamente de rumomas só peço que seja verdadeiro comigo.Você se fez de surdo.Insiste em fingir que nada aconteceu,só que o pior surdo é aquele que não ouve direito.Eu vi antes que acontecesse.Não precisa me ensinar de má vontadedescobri que posso aprender sozinho.Aliás, estou usando suas armas -você não percebe?É que sou mais habilidoso.As armas antigastambém tomei dos meus inimigosque me afrontavam antigamente.Minhas maiores tentações sãoPrazer e Poder.O meu caráter é maiorque um desejo ou ação,mas só eu, só sei disso.Todo dia vejo me transformarde ebulidor a usina de energia.Vi-nos no espelhoe a minha fraquezaera a suaenquanto sua forçaestava em minhas mãos:“Solidão.Detesto estar sozinho.Estou tal o ‘ponto escuro’,que fica sujoaté o dia em que vocêarranja alguém para lavar suas costas.- Conversa comigo!!!Não sei conviver com todos nem comigo.Sou indesejado nas rodas de amigos:quando chego, tudo se cala, todos vão embora.Insisto conviver.Minha alma vai para um mosteiroe lá, além do mundo exteriorsuperar seus complexos,desenvolver minhas capacidadesindividuais no todo universal- poeta, filósofo...- amor, paixão...Tudo em nós ecoa no todo universal!Minha alma cria naftalina(o cheiro do ano-novo).Vocês me desgastam tanto...Você espirra eeu pego pneumonia.”Eu vou deixar o rio corrernestes dias quentes.Pagar o preço eProsperar.28/01/98
A noite aguça os sentidos.Sensibilidade obscura e confusa.Visões, sonhos e fantasias.A segurança e a proteçãopresentes na realidade por um momento.Uma presença próxima de mim:lágrimas por solidão.A ilusão que criei ao meu redor.Meu sorriso escondedor,minha face de máscara,meu coração é transparente.Sinto, sinto, sintomuito, muito forte.Essa força que me invade,força que me domina,força que é minha.Tua e nossa força: fragilidade.Transformados nós em força.Não são antônimas ou opostas,mas cara e coroa,ou simplesmente moeda.A face única e oculta da lua.30/05/96
Ainda não é chegadaa hora da verdade.Minha incoerênciame embaraça demais.Continuo embaçadodiante de meus olhos.Te engano, me engano,me oculto de ti;me maquio pra mim.Represento, mascarado,dissimulo e disfarço.Mas no final eu me traioao olhar objeto.Meu olhar te falaa verdade que sinto:Emoções em roda,calculismo não adquirido.Vivo, não possome manter frio,morto e alheioaos estímulos;Emotivo, fervendo.Pra minha sortenão sentes a chamados meus olhoste queimando.Um dia,nossos olhosse nos verão,sem véus ou espelhos.20/06/96
Como pode esta bela músicainvocar o diabo?Belos perfumes e o ourolhe agradar?Que pensa o pobre homemnos delírios da ignorância?A dor de imaginar nós doisme parece pior quea dor de esquecer-te.Sinto mais prazer quando te eliminopor meus poros, líquido ou sólido(nem quando te absorvi foi assim).Minhas palavraste inspiram melodiasque se tornam novo sentimento no coraçãode nosso leitor-ouvinte.Em minhas mãos aprendo o domíniode usar velhas chaves poderosas.Mas não quero mudar o teu coração,enquanto não posso mudar o meu.A coincidência nos põe cara a caramas teu coração está sitiado.Então sento na cadeirae espero(com meu ouro, minha música e meus perfumes).07/10/03
Quando acordei, senti sua falta ao meu lado;a cama ainda estava quente, e desarrumada.Tive um sonho estranho, que me molhou todo.Era verdade que eu fui um abortoe vi você no meu lugar.No meu banho, você se lembrou de mim,e principalmente de que não gosto de que me olhem nu.A barba foi feita antesbem do jeitinho que eu gosto.Eu uso o seu perfumeembora prefira senti-lo em você.Por onde passo não há sensação de novidadee os seus passos seguem comigo.Eu quase que poderia sentir o calor da sua mãose não fossem os anos e a distância que nos separam.Mas em cada detalheeu vejo que você está lá, e aquidentro de mim.O Tempo me conta suas históriase por isso você continua vivo,como quando antes de sermos dois.Suas mãos tocaram as minhase seus olhos me viram com amor.Depois quando vivi,procurei tanto em todos os olhosum olhar semelhante ao seue muitos me reconheceram!Muitos outros mais, porém, não se deram de beber.Se eu pudesse, uma vez que fosse,e por mais rápido que conseguisse,mergulhar por um instante dentro do infinito,nunca mais de lá sairia.Preciso de toda intensidade e de toda autenticidade:preciso de você.Lembro do sonho que tivemos juntosum dia e hoje, eu sei- nada foi sonhonada é real -Eu sou você.Você é eu.26/11/97
O chão some dos meus pés.Eu sumo de vista das pessoas.A sombra e o escuro me encobremde noite e dia, lua a lua, sol.Absorvo como esponjaa energia da morte que está no ar.Vou me despojar dos esquemase sistemas.Vou ser mais livre ainda para voar.Nada sobrará dentro de mim.Não acho ninguém onde deveria achar;Sozinho canto querendo alguém,escuto eco pensando em ninguém.E viajo agora, sempre agorasozinho agora e sempre.(Nem eu me agüento. Quem agüentará?)No tempo perfeito,uma folha que roda.É melhor rolar por baixo,underground.Joga-me na cruz,condena-me,mata-me com pedras,se não tiveres culpa.Também eu a tenho.A morte eterna,uma vida, uma ilusão.O que rola nos esgotos.Te ver me basta,não quero mais que isto.Uma mosca pousada em mim,dois dedos e milhões:Sensação de céuno esgoto.Só alimento minha ilusão,minha vida, como moscasem baixo tom.(Não tenho garra.Só tenho unhas, longas e curtas.)20/12/96
Universo em harmonia.Tudo em revolução elípticaao redor da cruz.O príncipe cético;O menino inocente.Alguns atentos, outros indiferentes.Não é possível achar o pecado.Ele não está à órbita crucial,ele mora lá dentro.Do príncipe,do menino,d’alguns e d’outros.Dentro da própria cruz.Sangue versus glória.A glória por fora.Pecado navegando em glória.Estrelas ou sóis conjugados.Corpos pessoais no plano.Afirmação e negação simultâneas,de verdades e mentiras absolutas.A razão do irracional, e o ele dela.Luzes e lentes no buraco negro.Espaço – Tempo – Limite.Onisciência – Onipresença – Onipotência.08/05/96
Como é bom alimentaruma coisa, uma esperança nova.Coisas velhas ficam para tráse tudo se faz novo.Ela me remete a, simultaneamente,passado, presente e futuro.O prazer chega pertodo horizonte distante,que eu não podia ver,agora perto de mim.Tudo começa no fim do tempo.Obrigando a desfrutar o máximodo tudo no resto que sobrado crepúsculo:nem dia (trabalho)nem noite (descanso).E não há meio termo.06/08/96
E então, o que me trazes de bom?A tua alegria é porca:força o riso erola a lágrima.- Todas as emoções são quentes...Até mesmo essasensualidade banalcom movimentos hipócritas.A loucura coletiva cega:ao povo, pão e circo,a religião e o ópio!Mas...De repente, alguém vai embora(deve ter consciência ou serviço pra amanhã)a música páraa chuva aumentaa cerveja acaba.Os bandos se dissolvem em outrosagora, caravanas.Porque andar só à noite é risco.As brincadeiras deram lugar ao medoainda fantasiado.Porém não entendiporque fiquei na rua até tardese estava deprimido e excitado...Agitado, melhor dizendo.Nunca entraste em crise?Não te cansas dessa vida?De serdes atraído pelos corposcomo joguete, de um lado para o outrosem que a razão possa funcionar,impor limites ou padrões?Os olhos não se fartam de pedir maismas devo ter repelente no corpo...Muita dor no coração.É difícil lidar com o ser humanono campo amoroso ouamigo-romântico.Todos são carentes,mas não querem estragar a festa.É triste sentir a invejada tua não ser a minha história.Sonhei, mas não aconteceue dói no fundo do meu ventreo que eu queria e que não aconteceu.Se talvez alguém estivesse presenteeu talvez não estaria aqui ou seria assim.Se talvez alguém estivesse ausenteeu talvez não teria permitido queno meu coração brotasse a flor.Se alguém talvez colhesse a flortalvez meu coração não seria dois.Meu ódio: meu amor: meu poder: meu prazer(dor: embora qualquer permuta seja verdadeira).Meu prazer: meu poder: meu amor: meu ódio.Quando foi tempo de chorarminhas lágrimas não estavam prontase o coração chorou sozinho.São Pedro se comoveue pediu pra São João chorar tambémpra consolar seu filho,pra lavar-lhe a alma e os cabelos.Deu-lhe das asas os anjose aconchegou-o a si.A chuva estragou minha fantasia de felicidadedos meus cabelos.E vi que não sabias também passar maquiagem.Te deixei seguir teu rasto na lamae acompanhei a andorinhapelo céu (agora sem confetes e serpentinas)até aquela linda luz violeta.24/02/98
A sua filha está linda:a sobrancelha parece com a sua.A sua lágrima eu segureie foi embora.Eu queria ser pai,eu quero menino.Seu coração anda cansado.Seu amor vai cada vez mais ocupado.Sua jornada não é distraída.É tudo (que muda) sempre igual.Sóbrio eu vivazio na escuridãoda sombra que corre à minha frente,na sombra que galopa por trás:Não era ninguémalém de minha imaginaçãoquerendo que você voltasse pra mim(Ladrão não volta onde não houve crime).É melhor ser caça que caçadormas eu esqueço...Sou discrepante a contra gosto.Fico contrariadoquando os ventos não trazem notícias de longe.E você me pergunta:“- Você me ama?”- Que é o amor?Se ao menos eu ficassecalmo, sereno e tranqüilo...Só que é tudo sempre igual,sempre aprendendo a mesma coisa:não olhar,ficar no tempo.Contar a uma pombameus segredos sobreSimetria Proporção Vitalidade e ForçaRitmo Tamanho e AcessóriosBeleza e SaúdePerfeiçãoEntretanto, suas asas querem outros ares.27/02/98
Amor, aqui me despeço.Não posso mais me acabar com, e por você.Cansei de escrever você.O Amor é lindo, contudo,só que não muda;E não variando, cansa, enjoa.Assim me despeçode papel e grafitepara lhe escrever poemas.E antes que eu me esqueçavou lembrar-me de lhe enterrarbem no fundoda memória da minha história.Ambas as três, pequenas.E vou arrancar as suas costasdas minhas mãos.Arrancar seus beijosda minha boca.Arrancar o peso dos seus olhosde cima de mim.Tirar o sorrisodo seu rosto.Tirar o cabeloda sua boca.Tirar-me da sua história,onde nunca fui incluído.E enterrar-nos lado a lado,no adeus eterno da vida.02/05/96
Tive um jantar à luz de velas
sem comida perecível.
Consumi sanduíche de festa
com prazo de validade vencido.
Se realmente quero combustível para alçar ao céu
não deve ser mais denso do que o que eu possa digerir.
Incensos, vinhos, queijos, azeite e sal;
Terra, lágrima, suor e sopro:
O sangue que escorre é sujo,
o céu que testemunhou é negro.
Eu invadi seu corpo e você, minha privacidade lânguida.
O desejo cai ao contato seu; rói, tomba e rola.
O gosto desgasta-se no presente próximo.
05/05/03
Ah, Vida.
Ah, Fascinação.
Ah, Fantasia.
Eh, Ilusão.
Eh, Lamento.
Eh, Solidão.
Ih, Loucura.
Ih, Doença.
Ih, Morte.
Oh, Noite.
Oh, Cemitério.
Oh, Sombras.
Uh, Sepulcro.
Uh, Domingo.
Uh, Sino roxo:
Spleen,
Spleen,
Spleen.
22/03/96