quinta-feira, 7 de maio de 2009

CON-VENCENDO


O homem do IML.
Um cadáver ouve rádio.
O rádio sem sintonia.
Soluço à caça de casa.
Asas para a saudade.
Lembranças com sal e pimenta.
Ninguém descobre o corpo que se cobriu sozinho.
Palavras me fogem,
e fujo delas.
Errei ao não confiar em ninguém?
– O amigo do meu amigo é meu amigo, e
o inimigo do meu inimigo é meu inimigo; ou
– O amigo do meu amigo é meu inimigo, e
o inimigo do meu inimigo é meu amigo; ou
– O amigo do meu inimigo é meu amigo, e
o inimigo do meu amigo é meu inimigo; ou
– O amigo do meu inimigo é meu inimigo, e
o inimigo do meu amigo é meu amigo???
O problema é que tudo está certo.
Mortos não reagem. – É fácil assim.
Não jogo pra perder –
mesmo sem regras –
estou ganhando sem jogar.
O tempo é meu melhor aliado.
Esperar que venha ao meu encontro
só porque lhe dirigi a palavra.
Não é nada demais falar de desquite, divórcio:
minha liberdade e nosso encontro.
Mas você me mata
enquanto componho minha obra
cá entre nós, nada convencional.
Dormir de roupa pesada.
Declaração de amor escrita.
Negar propina ideal.
Meu amor,
não fira com agressão
ao jogar para o alto a moeda
e não deixe que o rancor fique por cima.
O amor é mais polido
o afeto mais abaulado é.
Não fale mal pelas costas,
que atravessei seu corpo
e capturei a alma pelos olhos.
Belos olhos
olhai por nós.
14/04/98

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