e o grão de areia
deitado eternamente em berço esplêndido
iluminado ao som e à luz
do breu profundo;
Descansa em meu ser a pedra
fruto do que nos é imundo.
Você admira sua beleza
sem saber o interior do coração.
Eu sei o que gerou a dor;
Eu sei o que gerei, saber.
Eu sei o que geraste, amor.
Na inconsciência do mar,
nas pedras e recifes
falésias e placas submersas
conchas e objetos perdidos.
Incrustado no céu, o sol.
A lua desmedida
na balança se hesita, mede
a duplicidade da maravilhosa
biologia: gêmeos.
Superficiais, concisos e inteligentes
críticos e instáveis, farsas
cumplicidades e acusações.
Subindo e ascendendo ao céu
pelo caminho das horas.
Excitado pelo fogo
correndo pelos ares
procurando alívio aquático.
Faço pérolas e pérolas sem grão:
são maciças, e não falsas.
Você não percebe a diferença!
Às vezes nem eu distingo
o que há, mas há.
Não há pérolas falsas,
apenas origens não confiáveis.
O sal do mar era pouco ou demais
e não valia a pena provar.
Só eu sei o que ocorre aqui dentro.
Você vê pérolas
eu vejo lixo, ou natureza.
Uma forma de defesa
que não resiste ao bisturi
dos teus olhos de ostra.
Meu medo não faz mal,
me mostra teu sentir.
Só verei totalmente
quando também puder ser visto.
Vejo que sou ostra
– as folhas caem
nos mares lunares –
e que tu és ostra também.
14/05/97

Estou amando os textos.
ResponderExcluirJa disse e repito, você é muito bom.
Abração...
Mass. Ter., selecionei o que achei ter alguma utilidade às pessoas. Sobre ser bom, prefiro não comentar. hahaha (e como estou precisando de abraço!)
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