Buscar outro olhar em que possa refletir-se e perceber:
Olhares não envelhecem, apenas se aperfeiçoam.
O sorriso envelhece; os cabelos envelhecem; mas olhares não.
Os olhares sentem e revelam o que há por trás de si.
Percebem e são percebidos. Não querem dizer, mas buscam outro olhar.
Miram-se no espelho (profundo). E não retorna resposta, apenas perguntas.
Lançam no ar suas palavras silenciosas.
Com as quais sempre têm o quê aprender.
Se com o olhar se fere, com o olhar será ferido.
Feridas invisíveis, imperceptíveis. Que provocam dor maior que a física.
Olhares também curam. Encerram na íris o bálsamo e o vinho. A vida.
Olhos fechados também vivem. Talvez se escondam, querendo fugir.
Mas um dia se abrirão, para a vida, para o amor.
Olhos negros, castanhos, claros e incolores – olhos.
Janelas através das quais contemplamos o mundo.
Mesmo fechadas, sabemos que há luz lá fora.
Então as abrimos.
Lágrimas acontecem. De dor, de alegria.
Às vezes escapam, às vezes são arrancadas.
Mas sempre, lágrimas.
Lágrimas que ferem, que aproximam, que lavam a alma e o coração.
Não deixam rastro por onde passam.
Às vezes, o máximo que conseguem ou podem ser, é imperceptíveis.
Sempre acontece alguma coisa: o tempo, o espaço. Olhos.
Quando venta, se fecham – proteção. Fecham-se, quando da Morte.
Um dia, ainda se abrirão...
06/01/95

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Seu pensamento é responsabilidade sua, de ninguém mais.