
Só ouço passos.
Passos surdos.
Marcas repisadas.
Caminhos novos.
Passos que vão para longe.
Será que alguém
(além do Tempo)
vai embora?...
Sim.
O Tempo é silencioso
e os passos surdos soam.
Não posso repisar suas pegadas:
nunca encontraria.
Temos que tomar caminhos opostos
para estarmos frente a frente
em algum outro lugar
num novo momento
(talvez a hora certa).
Você compreende?
Nosso caminho não existe.
Tenho o meu; você o seu;
e o Seu caminho.
Seus sapatos não me dizem nada:
de onde, para onde.
Seu silêncio me fere.
Eu amava...
(Porque não acabou, meu amor
se perpetua consigo.)
e não tinha seu amor.
Mas aprendi a não dizer adeus
por não saber quando era a despedida.
Me acostumara com sua presença.
Me acostumo com sua ausência.
Consigo levou minha paixão.
(Não amarei mais ninguém.)
Talvez juntos, pegaremos do chão
o que de mim foi levado
em silêncio,
com o Tempo.
Talvez eu espere no mesmo lugar:
não tenho força para me mexer.
Esperarei seus passos.
Aí, encontrarei a rosa
no deserto do seu coração.
23/08/96

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