terça-feira, 6 de janeiro de 2009

ITINERANTE

Crime, Castigo e novamente Crime.
É a saga do peregrino em terra estranha.
Eu sei, mas não sei se tudo isso
vai dar pé.
Não vejo a luz no fim do túnel,
nem sei se porventura eu já passei.
Não posso começar tudo de novo
embora queira.
Você me dá fome:
eu quero justiça, quero sua alma
quero a Morte, só que
nem adianta chorar;
Eu usei você e me machuquei.
O telefone toca e procura todo mundo
enquanto estou aqui morrendo sozinho.
Deixe-me dormir em paz.

Fulgazes relâmpagos:
Frenesim, Écipa* e novamente Frenesim.
Tudo passa, e agora que mudei
percebi o quanto de mim se foi:
meu amor e meu ódio.
Não tenho nada a perder,
não há nada a ganhar.
Apenas carinho, mordidas,
palavras e pertences.
Minha boca está a salivar.
A lua está crescente
e quando o sol vier
a grama deve estar mais verde
o céu deve estar azul
e você deve estar dormindo.
O meu presente já lhe dei,
afinal, hoje é
parabéns pra você!
Vinte anos se passaram,
e parece que a encontrei ontem...
Prefiro me iludir
se a realidade for bandida.
Perdi minha identidade
e meu poder aquisitivo;
uma parte do meu ser
no chão escuro, vazio e úmido.
Nem adianta rastejar,
só Deus sabe onde errei.
É inevitável o passar do Tempo
o jeito é fechar os olhos e meditar.
03/12/97
* Écipa = inversão de ápice.

2 comentários:

  1. Acabei de encontrar o que lhe disse que você havia escrito:-"Vinte anos se passaram"... Nossa vinte anos parece-me tempo de mais. Mais é isso aí a lembrança é algo incrível!

    ResponderExcluir
  2. Ora, ora, ora. Na época deste escrito, eu tinha... 19 anos. Talvez seja referente à pessoa de quem eu falo. Ou ainda, alguma interpretação que fique melhor aos seus olhos. Poemas tem dessas coisas. Continue lendo!

    ResponderExcluir

Seu pensamento é responsabilidade sua, de ninguém mais.