quarta-feira, 17 de junho de 2009

CÁLIX MOXTARDA


Minhas mãos são Frias.
Frias buscam um Corpo.
Corpo para aquecê-Las.
Frias para tocar.
Corpo para sentir e ser sentido,
dar e receber... algo.
Não apenas um Corpo
sem vida, morto;
mas Você.
Corpo não apenas para sentir.
Você para amar.

Desejo, cale-se:
você quer qualquer corpo.
Afeição é quem sabe o que faz,
mas não consigo dominá-Lo.
Ele tem olhos para todos,
só não sabe que não é assim
tão fácil.
Ela se resguarda
e faz muito bem:
muitos são vistos,
poucos têm coragem
(entre os quais sou um).

Venha.
Sempre estive sozinho
e agora sei
que preciso de alguém:
presença, confraternização,
compartilhar, participação com,
intimidade, amizade,
camaradagem – comunhão.
Larga os “pode” e “não pode”
e aqueça as Frias;
me faça um carinho.
Com sua e seu:
presença presente.
25/12/95

2 comentários:

  1. Ei poeta! Vc continua surpreendendo com seus poemas, cada vez mais misteriosos e mais românticos, além do mais deixa um suspense no ar. Fico a pensar, se vc é realmente misterioso ou transparente demais que demonstra sua sensibilidade onde o humano fala mais alto que a ficção. Esse poema me levou a imaginar que corpos são passageiros, mas que necessitamos deles para mover nossos desejos,me desculpe pela sinceridade, minha imaginação foi um pouco longe com essa bela foto que ilustra seu poema. Parabéns!!!! Abraço de sua fiel leitora.

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  2. Hahaha. Sônia, Sônia.,.
    Romântico e selvagem. Misterioso e transparente. Sou sim; e não. O corpo é o veículo e o vínculo de nossa essência com a matéria. Das fotos sim, compartilho com você(s) um senso estético meu (Amo a beleza.) que pego na rede, que acho navegando neste mar de internet. Pena sentir que você é minha única leitora-comentadora. Até o próximo.

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