quarta-feira, 8 de abril de 2009

BASTA


Sinto a força em minhas mãos
mas é só por um tempo.
Alegria de ilusão.
Portanto, quero morrer cedo.
Caso contrário,
este velho vai ficar mais ranzinza.
Cada vez mais gago,
cada vez mais lelé
em minha lucidez.
Alguém vai ter que me ajudar
a ir ao banheiro;
Não era isso que eu queria.
E meus filhos não poderão
cuidar de mim.
(Que filhos? Não tenho.)
Minha força me abandonou
e carregou um pedaço de mim.
Só sinto esta vida
velha e pesada
sobre meus ombros, pulsos e artelhos.
Não falo do que não conheço
e entendo bem.
Sinto através dos meus e dos teus olhos.
Ensine-me de novo a sorrir
enquanto continuo a sublime tarefa
de saber viver.
Talvez eu me arrependa
de tantas palavras vãs.
Agora vejo, além de olhar
(o que tenho de melhor).
Será que estaria tudo errado?
16/01/97

2 comentários:

  1. EI POETA! Envelhecer não é perder ,são gsnhos de muitos anos vividos,mesmo quando não vivemos tudo que queriamos fazer.O envelhecer as vezes deixa o ser humano frustrado sabe porque? Porque é quando percebe que podem fazer de tudo sem muitas cobranças,derepente são interrompidos pela morte,ai poeta! assusta e revolta. Mas vale apena viver pode ter certeza.Abraço,S.D.C.

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  2. Obrigado, Sônia. Tenho planos sim, de envelhecer e não pretendo estar frustrado, mas viver intensamente! Até lá.

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