quarta-feira, 8 de abril de 2009

AS QUATRO NOITES


Está mais escuro,
está mais frio,
está praticamente deserto;
é silêncio.
Só ouço no meu coração
repercutir o grito de Tetra
esculpido na testa
dos únicos torcedores que cruzaram o vento,
que de seco não uivava
ao ferir os meus ouvidos.
Difícil é respirar no medo,
sobreviver com a lágrima abafada no peito
estrelado de esperança.
Que a lua testemunhe
a queda de uma estrela,
que rodopiou mais do que devia no céu.
A emoção dá lugar à sensação
rejeitada mas prevista
que o sabor amargo é de prata.
Uma em cada canto da boca:
decepção, tristeza.
No olhar, a vibração inglesa.
Pingando da unha dos pés
a última gota de fé
que combatia o ceticismo petrificante.
Algumas luzes da cidade se chocaram
com homens desinibidos se beijando na TV.
Os fogos tímidos celebraram,
porque não poderiam ficar quatro anos aguardando.
12/07/98

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