
É como o cheiro do perfume que realça
no dia seguinte, após o banho
que tira o suor, desimpedindo a fragrância.
Coração acelerado,
gosto de carne viva nos lábios:
fui aceito moralmente na sociedade vampírica.
Meus olhos pesados colocam meus pés sobre
as nuvens,
minha capa preta-vinho.
Meu corpo está todo dolorido
- quase não parei de buscar
a essência da sua vida
a noite toda nos trilhos da meia noite.
Sina a esmo no mato deserto
contra a luz que vinha de longe ferindo
meus olhos e ouvidos bem abertos.
A boca apertada sentindo
o gosto de sangue nos lábios.
A língua morta na boca,
as pernas se transformando em cauda,
os braços transmutando a asas
num desvairo de sempre aceitar mais
e sempre, diferentes coisas.
Seu olhar confunde o meu.
Não tenho demônio de adivinhação:
tenho o dom de discerni-los, Espíritos.
Mas quando eu dominá-lo
vou ter que escrever com o sangue
(que sobe ácido, doce e rápido
para descer aço morno, pasto)
o licor do seu beijo.
Com Poder transfigurei,
num vôo rasante nos encontrei
e bebi sua vida seu sangue.
Seu órgão me serviu apenas porque
eu sei quem eu sou, você não.
25/05/98

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