
Oi, minha irmã!
Cá estamos nós de novo:
eu sozinho na rua
e você em meu coração.
Ontem à noite sonhei
com um haras bem povoado
mas hoje os eqüinos
me olham como se eu fosse um bicho.
(Você sabe como é fria
uma cama, um cobertor
e aquele gosto de cabo de guarda-chuva
curtido avolumando-se na boca
até de manhã -
Se você me abraçasse
eu colocaria a cabeça em seu peito
e adormeceria sentindo
a aura que o ar quente faz ao seu redor.)
Os cabelos e os pés das pessoas que passam
estão molhados com a chuva fina
enquanto eu estou seco - por dentro também.
Não olhei para minha alma hoje
e esse pode ser o motivo de
ninguém a olhar também,
só eu presto atenção.
Queria cuidar de você, querida
bem como gostaria de ser cuidado.
Mas todos estão bem fechados
e protegidos em suas próprias casas,
ou passeando em seus belos carros.
Fazendo algo de suma importância:
não perceber a lentidão com que
a inutilidade do fim de semana passa.
Ainda que um grupo se confine no mesmo espaço,
os corações frios permaneceriam a sós,
indiferente a quanto dinheiro ou tempo gastem.
Essa superficialidade não vê minha profundidade.
Sou apenas osso e peles, pele e ossos;
Músculos mirrados e olhos agudos.
15/12/02

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Seu pensamento é responsabilidade sua, de ninguém mais.