segunda-feira, 23 de março de 2009

ÁGUA


Sinto o gosto insípido
Que vem depois da euforia;
A amarga sensação
De derrota e fracasso.

Nesse espelho incolor
Vejo minha fraqueza e covardia.
Eu inodoro fedendo
Lágrimas de arrependimento

Por não ter feito,
Por querer ter feito,
Era só estender a mão!...

Mas me larguei
Onde estou agora.

E depois de engolir a comida
O gosto desce com ela.
Minha língua se alterou.
Só não fui tão ferido
Porque fracassei.

Estou mais vazio ainda
Do que antes.
Esperança agora
Morreu e enterrou
Na terra seca
Do meu coração, deserto.
O sol escaldante,
Os ventos vêm e vão
Levando o que restou:
Nada, rocha.
Lençol de água
Que lava e leva
Os sentidos de mim.
A razão de mim.
E você de mim.

Tempo.
Vento que vem e vai
Levando água.
08/07/96

2 comentários:

  1. Ei poeta! cada vez mais fico adimirada com seu talento,este poema retrata nossa vida sendo consumida pela falta de enteresse do valor humano,que está se perdendo.Assim como faltará àgua no planeta faltará também o respeito humano,o interesse pelo sonho. Se pararmos de sonhar termina o sentido da vida. Vc é um encentivo a vida por mostrar que vale apena sonhar. continue mostrando isso ao mundo,vc soma com muitos que acreditam nisso! Abraço fraterno.S.D.C.M

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  2. Nossa. Eu nem tinha imaginado essa interpretação pro poema. Legal você pensar assim, Sônia. Vai lendo e comentando. Obrigado.

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