um punhal de dois gumes
irregular como uma labareda.
As pessoas acham lindo
o meu sofrimento;
não é por mal, eu sei.
Você me deixa à beira do abismo
do precipício da loucura.
Por que você me mata assim?
A sua inocência é má
e não sei se devo fazer alguma coisa.
Faz muito tempo
mas não lhe conheço bem
a ponto de saber do seu desejo.
Não me mostre o seu peito
nem suas costas
nem suas pernas.
Só quero ver
o que eu puder tocar
e possuir por um instante
de eternidade.
Não quero mais nada
que a sua intimidade.
Lhe esperei ansiosamente
esta tarde.
Suas palavras de ânimo
fazem bem.
Mas me recuso a
enxergar o que li
no fundo dos seus olhos.
Prefiro pensar que você não
sabe interpretar o meu olhar,
e que os seus motivos
e / ou interesses
não são os mesmos que os meus.
De qualquer forma,
já estou sofrendo.
14/09/97

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Seu pensamento é responsabilidade sua, de ninguém mais.