água, rio, mar, vapor, igual a
tormenta, temporal, tempestade, chuva.
Guerras, tribulações, lutas.
Tudo isso me atinge
aos poucos, na medida em que
se torna minha luta interior:
o dia contra a noite,
06h x 18h,
consciência versus desejo.
Só escrevo quando estou na fossa
- por favor, não me jogue uma corda -
com exceções.
Vivo num deserto de delícias
por onde ando correndo
rápido
pelas duas estações,
o Enterro do Verão e
a Festa do Inverno,
estados de inferno
com meus anjos e demônios
que criei ao meu redor.
Não há paz e vida:
vida é guerra,
paz, só com morte.
Guerra da
rotina contra aventura.
Atraem nuvens.
Nuvens negras que não indicam
tribulação, mas bênção
de chuva.
Ela deixa irreconhecível, gasto
algo que se deixe,
palavras.
E é mais poderosa
que o sol, calor, luz:
ele custa a secar
o que ela molhou já,
terra.
Ela molesta e abusa
de todos.
A gritos, falas e cantos.
Claves, chaves,
fusas e semi-fusas
confusas, confusos.
Ruídos nos telhados,
na terra, da terra:
cheiro de vida,
que encerra morte
no encalço de seus pés.
28/02/96

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