quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

SEMENTES NOTURNAS


Estou trocando os dias pelas noites,
pelo menos no fim.
Mas não acho o teu semblante
nem nada do tudo que eu quis.
Amanhece e tudo está perdido:
pelo menos sei aonde estou,
para onde eu tenho que ir.
Estou sozinho
e não há nada de novo nisso.
Estou perdido
mas no caminho achei o meu espírito.
Sem a Estrela,
o meu preciso não é preciso.
Vira desejo ardente, como à meia noite.
Mas de perto
bem lá dentro do que chamo coração
existe aquilo que dói,
o vazio tamanho
que nem o mundo o preencher
seria capaz.
Seria capaz
de amar mais outro nome de
mais outra alma aprisionada
num outro corpo mais?
Se o amor me fizesse saber
O que é não solidão...
Eu miraria nos teus olhos
e não precisaria de explicação.
Meu desejo
me mata e alimenta
sempre à noite
porque o ocaso é depressão.
Quando o sol se vai
minha alma voa leve
e leva meu corpo.
Cheguei cedo demais pra escuridão.
Não me olhes,
eu vou com frutos
e me trazes sementes.
Reconheço o teu olhar.
Todos dentro aqui estão.
Não machuca, não condena
Porque também podes sentir.
A lágrima corre aqui por dentro.
Eu sinto a tua falta...
Eu sinto a falta...
Eu sinto falta...
Eu sinto...
Falta...
13/10/97

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