Que vai e que vem.
À noite
Passo por ela e nem me vê,
Ou ignora deliberadamente
Para não ter o trabalho de se confrontar
Consigo mesma.
Meus olhos são espelho e sombra
Daquilo que sou e do que poderia ser
Daquilo que não sou e do que finjo ser.
Mas seus olhos não são iguais aos meus
E (ai!) me machucam ao brilhar,
Ofuscam minha sombra.
As forças que operam em meu interior
São como as que estão no exterior
Tanto que às vezes as confundo
De tão iguais.
Então um largo e intenso movimento
Me deixa de largo, à mercê
E me vejo no centro adiado
Como que evitando o que quero sem querer.
Se o que dói fosse tão suave
Como um cálice ou uma taça de cristal,
Ainda assim valeria pouco (apesar dos olhos claros)
Pois está distante e não posso beber em seu corpo.
Me faz sentir um frio desejo
Que se resolve na concepção de um problema:
Necessário fora possuir você
Além de aqui, dentro de meu coração.
Só fica um vazio impossível de você preencher.
Meu corpo é meu e ninguém pode possuí-lo.
Inclusive eu, prisioneiro de mim.
Não me mostre seu coração
Uma vez que não posso tê-lo.
Não me fale, que não posso ouvir sua voz.
Não me toque,
Meu corpo não foi feito para ser tocado.
Ele aborta o espírito
Para que a alma possa respirar e suspirar.
Como se houvesse alguma separação em mim mesmo...
08/03/02

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