e despencá-la
despenhadeiro frio abaixo
mirando fundo no espelho escuro.
Por todo lado só vejo alma
exposta e manifesta
qual nudez de roupa presente
e minhas forças ficam poucas
frente às fortes fraquezas.
Acabou o seu carinho
(por mim, eu sei)
e não insisto onde já ganhei.
Vá em paz
porque temos as almas divididas
e a cicatriz em mim:
o seu jeito turbulento.
A caça é
quem escolhe o caçador,
por isso não faço muita força
pra ser carente quando a carência me deixou.
Minha alma é propensa
a deixar-se tocar
por outras almas.
Meus olhos são propensos
a extravasar
e ninguém tem culpa
do que sinto.
Minhas virtudes são defeitos
e meus defeitos não são nada.
Quem dentro de mim?
Quem dentro procuro fora?
Quem quero libertar
mantendo a chave aberta
a luz acesa?
Não posso ver nem silhueta.
A porta aberta
eu corro pra fora, você pra dentro.
Abracei minha sombra
Mas não posso beijar minha boca.
09/04/01

simplesmente profundo...
ResponderExcluirÉ, Dayana... este doeu muito mesmo. E simbólico também, convidando cada um a abraçar sua sombra - adoro o final. Abraços.
ResponderExcluirAchei este poema muito bom.
ResponderExcluirVc foi muito feliz no jogo das palavras.
Abração de seu Primo
Achei este poema muito bom.
ResponderExcluirVc foi muito feliz no jogo das palavras.
Abração de seu Primo
"Abracei minha sombra mas não posso beijar minha boca." Adoro essa imagem de união com a parte sombria da personalidade humana. E assim me sinto ao escrever: nu.
ResponderExcluirObrigado anônimo primo Ronaldo, e seja bem vindo!
ResponderExcluirMuito bom sem palavras para definir todas as idéias que o poema tem. Ótimo poeta. Saudades
ResponderExcluir